O FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade) estima que o Brasil teve perdas de quase R$ 500 bilhões no ano passado devido ao mercado ilegal, que inclui produtos piratas e contrabandeados. Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, o valor representa 3,75% do PIB (Produto Interno Bruto), o que coloca o Brasil acima da média regional.
A Alac (Aliança Latino-Americana Anticontrabando) estima que as atividades representam, em média, 2% do PIB dos países da região. A Alac é formada por empresas, câmaras e governos de 15 países latino-americanos.
O fórum tem como base um levantamento feito por 15 setores da economia, que calculam perdas de R$ 473,2 bilhões. Deste total, R$ 326,3 bilhões seriam de perdas das cadeias de produção e R$ 146,9 bilhões são provenientes do impacto na arrecadação tributária, ou seja, da evasão fiscal gerada por esse mercado.
O valor de 2025 é o maior patamar já registrado na série histórica do levantamento. A evolução anual apontada pelo FNCP indica perdas de R$ 468 bilhões em 2024 e de R$ 441 bilhões em 2023. Em 2020, as perdas eram de R$ 288 bilhões — em cinco anos, o avanço foi de 64%, um salto superior a R$ 185 bilhões.
Entre os setores mais afetados, vestuário e bebidas alcoólicas lideram o ranking, com prejuízos estimados em R$ 87,3 bilhões e R$ 83,2 bilhões, respectivamente. Na sequência aparecem combustíveis (R$ 29 bilhões) e material esportivo (R$ 23,3 bilhões). Outros segmentos com perdas relevantes incluem higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (R$ 21 bilhões), defensivos agrícolas (cerca de R$ 20,6 bilhões), ouro (R$ 12,7 bilhões), TV por assinatura (R$ 12,1 bilhões), óculos (R$ 11,4 bilhões) e cigarros (R$ 10,5 bilhões).
Os dados não levam em consideração outros impactos do mercado ilegal, como a geração de emprego e renda e a diminuição de investimentos que poderiam ser feitos legalmente no país.
Com informações da Folha de S.Paulo.