Os três inquéritos abertos pelo STF contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), começaram a revelar uma rede de contatos que passa por dentro do próprio Palácio do Planalto. Veja quem são os personagens citados nas investigações e qual a relação de cada um com o presidente da República.
FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA ("Lulinha")
- Quem é: filho mais velho de Lula, empresário, hoje residente na Espanha.
- Suspeita: tráfico de influência e corrupção passiva. Teria usado a proximidade com o pai para favorecer empresas e lobistas em órgãos federais (Ministério da Saúde, Dataprev e outros).
- Ligação com Lula: filho do presidente.
- Situação: alvo de 3 inquéritos no STF, sob relatoria de André Mendonça e Flávio Dino. Nega irregularidades e pretende prestar depoimento à PF.
ROBERTA LUCHSINGER
- Quem é: empresária e lobista, apontada como amiga próxima de Lulinha.
- Suspeita: ter atuado em conjunto com Lulinha para "abrir portas" no governo federal em favor de empresas e do lobista Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, especialmente nos negócios de cannabis medicinal.
- Ligação com Lula: não tem vínculo direto com o presidente — o elo é exclusivamente através de Lulinha.
- Situação: investigada por tráfico de influência; fez transferência financeira a Marco Aurélio Santana Ribeiro, revelada pela PF.
MARCO AURÉLIO SANTANA RIBEIRO ("Marcola")
- Quem é: ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República.
- Suspeita: ter recebido pagamento de Roberta Luchsinger, que pode configurar propina para facilitar acesso a Lulinha ou a órgãos do governo.
- Ligação com Lula: ocupava um dos cargos de maior confiança e proximidade física com o presidente — controlava agenda, visitas e acesso direto a Lula, inclusive em viagens a Curitiba. Deixou o Planalto em 21 de julho para integrar a campanha de reeleição do petista.
- Situação: confirma o pagamento, mas alega se tratar de "empréstimo pessoal já quitado". Nega qualquer ilegalidade.
SWEDENBERGER BARBOSA ("Berger")
- Quem é: figura histórica do PT, foi secretário-executivo do Ministério da Saúde entre 2024 e 2025 e hoje é chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente Lula.
- Suspeita: a PF apura se ele intermediou negociações entre Lulinha, Roberta Luchsinger e o Careca do INSS. Segundo reportagem da coluna Tácio Lorran (Metrópoles), o lobista visitou pelo menos cinco vezes a secretaria-executiva da Saúde quando Berger estava no cargo — apenas um encontro constou na agenda oficial. Uma mensagem obtida pela PF, enviada pelo Careca do INSS em novembro de 2024, dizia: "Berger já está com aquela orientação em mãos".
- Ligação com Lula: tem "ótima relação" tanto com o presidente quanto com Lulinha, segundo a coluna, e hoje ocupa cargo de confiança dentro do gabinete pessoal do petista no Planalto.
- Situação: afirmou, em nota, que as reuniões constaram na agenda pública e se trataram de "visitas institucionais", sem qualquer irregularidade.
ANTÔNIO CARLOS CAMILO ANTUNES ("Careca do INSS")
- Quem é: lobista, personagem central da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de aposentadorias do INSS.
- Suspeita: ter articulado com Roberta Luchsinger e, por meio dela, com Lulinha, para obter vantagens em órgãos federais — incluindo tentativa de fechar acordo sem licitação para fornecimento de canabidiol ao SUS. Ex-funcionário do lobista relatou à imprensa que ele costumava citar abertamente o nome de "Fábio Lula" ao tratar com parceiros comerciais.
- Ligação com Lula: nenhuma direta — é a partir da investigação sobre ele que a PF chegou até Lulinha e, depois, ao entorno presidencial, incluindo Berger e Marcola.
- Situação: é o ponto de origem da cadeia investigativa que hoje atinge o Planalto.
Por que isso importa
O fio que une os nomes acima mostra uma progressão: a PF começou investigando fraude a aposentados do INSS, chegou a um lobista, deste a uma empresária ligada a Lulinha e, por fim, a dois nomes com acesso direto e cotidiano ao presidente — um ex-chefe de gabinete e um atual assessor do gabinete pessoal de Lula. Até o momento, não há indícios apontados publicamente de que o presidente soubesse ou tivesse participação nos esquemas — mas a proximidade física e institucional de Berger e Marcola com Lula é o que torna o caso politicamente sensível, especialmente no início da corrida pela reeleição.