Documentos da Operação Compliance Zero, tornados públicos após o ministro André Mendonça levantar o sigilo da PET 15.556 e de processos conexos, descrevem Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — chamado de Felipe Mourão nas mensagens e apelidado de “Sicário” no grupo — como o executor operacional de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo relatórios da Polícia Federal anexados aos autos, Mourão recebia R$ 1 milhão por mês para cumprir ordens do banqueiro. O dinheiro saía de empresas ligadas a Vorcaro, como a SUPER Empreendimentos e Participações, e chegava à KING Participações Imobiliárias, pessoa jurídica atribuída a ele.
Parte do valor, cerca de R$ 400 mil, era rateada com o grupo chamado “A Turma”, coordenado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A PF estima que os repasses a Mourão superaram R$ 24 milhões desde 2023.
Os investigadores o colocam no centro da estrutura de campo. Vorcaro definia alvos e estratégias; Mourão executava e coordenava. As atribuições descritas incluem acesso irregular a sistemas restritos (entre eles o ePol da própria PF e bases do Ministério Público Federal), monitoramento de autoridades, críticos e processos sigilosos, coação, retirada de conteúdo da internet, ataques hackers e articulação com criminosos, inclusive milicianos no Rio de Janeiro. Ele também aparece como coordenador de outros núcleos, referidos como “Os Meninos” e “Os Editores”.
Um dos elementos destacados nos autos é o envio, por Mourão a Vorcaro, de imagem de consulta em sistema interno da Polícia Federal sobre inquéritos contra o próprio banqueiro. Em outro diálogo, os dois tratam de “contato na Civil de SP” depois que um operador foi intimado. Mensagens reproduzidas nos relatórios mostram Vorcaro pedindo ações contra desafetos, inclusive jornalistas.