A cena registrada nesta segunda-feira (21) no Aeroporto Internacional Aluízio Alves, com Flávio Bolsonaro dando até autógrafo para quem o esperava, chama atenção por um detalhe que vai além do simples entusiasmo eleitoral: a multidão de apoiadores que aguardava o candidato do PL estava presente tanto na área de desembarque quanto do lado externo do terminal.
O contraste com as visitas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Rio Grande do Norte é evidente. Quando Lula esteve em Natal em agosto deste ano, para lançar sua campanha à reeleição, seu desembarque ocorreu pela Base Aérea de Natal — instalação militar, de acesso restrito, sem exposição do presidente a multidões no momento da chegada.
O contato com o público só acontece depois, em ambientes fechados e previamente estruturados, como foi o caso do comício no estacionamento da Arena das Dunas, cercado por um pesado esquema de segurança montado horas antes pela Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU), com bloqueios de vias, alterações no trânsito e uma logística de deslocamento planejada com antecedência por uma comitiva de segurança que chega à cidade dias antes do próprio presidente.
A diferença não é apenas estética — ela é reveladora. Enquanto Flávio caminha em meio à multidão, cumprimenta apoiadores no aeroporto civil e segue para eventos abertos como motocarreatas e comícios de rua com acesso relativamente livre, a logística presidencial de Lula é construída para minimizar qualquer exposição direta e espontânea, blindando o presidente do contato inicial com o público até que o ambiente esteja sob controle rigoroso.
É legítimo argumentar que a Presidência da República exige protocolos de segurança mais robustos, dado o cargo que ocupa. Mas é igualmente legítimo observar que essa blindagem constante, ano após ano, contribui para uma percepção pública de distanciamento — uma presidência que se movimenta entre bases aéreas, comboios fechados e eventos hermeticamente organizados, em contraste com um adversário eleitoral que aposta justamente na imagem de proximidade espontânea com as ruas.
Se a imagem vale mais que mil palavras, o desembarque de hoje em Natal deixou claro que, na disputa simbólica pela espontaneidade popular, Flávio Bolsonaro está jogando um jogo que Lula, por razões de segurança ou de escolha estratégica, parece evitar.