O Conselho Superior do MPF (Ministério Público Federal) está dividido, em 1 a 1, sobre a designação de um subprocurador-geral da República para apurar fatos relacionados à atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso do Banco Master. Na sessão desta sexta-feira (25), a conselheira Janice Ascari votou a favor da designação, para uma apuração preliminar. O relator, Francisco Sanseverino, votou contra. Os demais integrantes do colegiado ainda precisam votar.
A notícia é da CNN Brasil. Janice afirmou que os elementos disponíveis não justificam, neste momento, a instauração imediata de um procedimento de investigação criminal contra Gonet. A conselheira defendeu que os fatos sejam esclarecidos antes de uma decisão definitiva.
Entre as questões que demandariam maiores esclarecimentos apontadas por ela estão as tratativas para uma suposta participação de Pedro Gonet, filho do procurador, em um evento em Londres patrocinado pelo Master. Ela também citou o conteúdo de uma ligação que teria ocorrido entre o PGR e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Para Janice, um subprocurador-geral deve ser designado para examinar inicialmente a notícia de fato e reunir essas informações. Caso não sejam identificados elementos que confirmem vantagem indevida ou atendimento a pedido relacionado às funções de Gonet, o Conselho "teria uma base mais segura para arquivar o procedimento".
Se surgirem indícios, caberia ao membro designado instaurar uma investigação criminal ou adotar outra medida legalmente adequada.
O entendimento é diferente do apresentado por Sanseverino. O relator votou pelo indeferimento da designação por considerar que os documentos apresentados não contêm elementos mínimos de autoria e materialidade de crime atribuível a Gonet.