A Polícia Federal (PF) descobriu que o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís da Silva, o Lulinha, atuou a favor dos interesses da produtora de fertilizantes Unigel junto à Petrobras em parceria com a lobista Roberta Luchsinger e o ex-chefe de gabinete do presidente no Palácio do Planalto Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Segundo um inquérito sigiloso sobre Lulinha que está sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, Roberta negociou e fechou com Leo Slezynger, diretor da Unigel e filho do fundador da empresa, Henri Slezynger, um contrato de consultoria com dois objetivos: conseguir que a empresa fechasse com a Petrobras um arrendamento que a salvaria da bancarrota e, numa segunda etapa, um financiamento com o BNDES para a expansão da companhia em uma joint venture com a petroleira.
O acerto de Roberta com a Unigel previa o pagamento de R$ 100 mil reais mais R$ 25 milhões caso a empresa conseguisse o financiamento de R$ 500 milhões que pleiteavam junto ao banco de fomento.
De acordo com informações da investigação, entre março de 2023 e julho de 2024 Leo repassou à lobista R$ 1,26 milhão, sem contar presentes como pagamentos extras e diárias de hotel.
As mensagens entre Roberta e Leo Slezynger deixam claro que Lulinha foi informado da negociação de contrato, conversava com o sócio da Unigel pelo WhatsApp e se reuniu com ele pela primeira vez em 21 de março de 2023.
Os diálogos mostram que, depois desse encontro, Lulinha atuou junto a Roberta e Marcola nas movimentações de bastidores para ajudar a Unigel. E discutiu com Leo a formação de um fundo para financiar ações de sustentabilidade e captar recursos nacionais e estrangeiros do qual ele seria conselheiro.
O convite do empresário para Lulinha fazer parte do fundo, inclusive, foi sugerido por Roberta Luchsinger a Leo Slezynger como forma de se aproximar de Lula.
A ideia foi acatada por Leo, que enviou à lobista um print com a resposta do filho do presidente da República.
“Estamos juntos meu amigo. Domingo agora vou pra Portugal e volto no outro sábado. Pode marcar quando vc quiser”, escreveu Lulinha.
Em resposta, Roberta reagiu:
“Isso que vc tem q fazer. Dar ele o que faz o olho dele brilhar. Chama p o conselho. Paga um salário de conselheiro. Faz ele atuar para você. Você acha o pai dele vai querer beneficiar qual fundo? O que o filho é conselheiro e que recebe por isso. Funciona assim. toma lá, dá cá”, resumiu a lobista, em 20 de abril de 2023.
Procurado, o advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, não comentou o conteúdo das mensagens e as classificou como “fruto de vazamentos criminosos que ocorrem às vésperas de uma eleição”. A defesa de Lulinha informou que “não teve acesso a nenhum procedimento que trate dessa matéria e não comentará alegações não verificadas” (leia a íntegra das notas ao final da matéria).
A Unigel afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que "jamais manteve relação contratual com a Sra. Roberta Luchsinger ou com qualquer empresa a ela vinculada". A investigação apurou que os repasses eram feitos diretamente por Leo Slezynger, que não retornou o contato da equipe da coluna.
A Unigel era uma fabricante tradicional de fertilizantes que durante o governo Jair Bolsonaro arrendou da Petrobras duas fábricas, uma na Bahia e outra em Sergipe, quando a petroleira passou a se desfazer de negócios que considerava menos rentáveis. No primeiro ano, a guerra da Rússia contra a Ucrânia levou à escassez de matéria-prima e à alta no preço do fertilizante, e a Unigel teve lucro.
Mas, em 2023, o quadro mudou, a empresa passou a ter prejuízo e parou as fábricas.
A Unigel então passou a articular um novo arranjo, o chamado tolling, em que a Petrobras forneceria o gás e receberia em pagamento o fertilizante para vender no mercado. Só que, com os preços do gás em alta e os do fertilizante em queda, a petroleira fatalmente teria prejuízo, e por isso os técnicos e até o presidente, Jean Paul Prates, resistiam ao acordo.
Foi quando Roberta, que já conhecia o sócio da Unigel desde a adolescência e, segundo ela diz, já tinha sido sua namorada, entrou em ação.
Em 21 de julho de 2023, sempre por orientação da lobista, Leo manda uma mensagem para Lulinha agradecendo pela intervenção dele junto ao presidente da República. O filho de Lula responde: “Estamos todos aqui torcendo. Feliz que estamos ajudando. Agora é vc fazer o gol e nós saímos pro abraço [sic]”.
Em diversos momentos, Roberta exaltava a atuação de Marcola e insinuava a anuência do próprio Lula.
“Eh o gabinete [presidencial] trabalhando p vcs praticamente”, escreveu a lobista em 28 de julho.
“Só estão assinando esse tolling porque houve intervenção direto [sic] do presidente”, escreveu ela em 2 de agosto do mesmo ano, já engatando uma cobrança por pagamentos.
“Leo, que dia será a reunião de assinatura com o seu pai? Estou sendo cobrada aqui. To no palácio [do Planalto] e me perguntaram. Não querem surpresas. Eu to ficando preocupada pq não sei se vcs entenderam q isso foi devido ao esforço da turma aqui. A situação negou [sic] a um nível de tensão pq eu não tenho nada assinado por vcs. E todo mundo se mexendo aqui por vcs”, escreveu Roberta.
A partir daí, os pagamentos de Leo à RL Consultoria, que tinham sido esparsos, passam a ficar mais regulares.
Apesar dos esforços de Roberta, Lulinha e Marcola, porém, as negociações entre a Unigel e a Petrobras foram turbulentas e se arrastaram ao longo de 2023.
A empresa tentava convencer a petroleira e o governo Lula a encampar, na prática, um plano de salvamento da companhia.
Solução rápida
Nas conversas com Roberta, Leo Slezynger deixava claro que esperava uma solução rápida. A Unigel passou, então, a ameaçar com a demissão de centenas de trabalhadores, como forma de pressionar o governo Lula a avançar nas tratativas.
Em uma das conversas com Roberta, em outubro de 2023, o então chefe de gabinete de Lula relatou à lobista estar “jogando duro” com a Petrobras.
Em 1º de novembro de 2023, depois que a Proquigel, subsidiária da Unigel, comunicou a paralisação das atividades da fábrica da Bahia e a demissão de seus funcionários ao sindicato do setor, Jean Paul Prates enviou uma mensagem a Leo acusando o empresário de chantageá-lo.
“Se são seis meses ou dez, serão tantos quantos a Governança e as análises técnicas e econômicas me exigirem”, escreveu Prates ao sócio da Unigel, como demonstrava o print enviado pelo próprio empresário a Roberta. “Não tenho obrigação de colocar meu pescoço a prêmio no TCU [Tribunal de Contas da União] e acionistas privados por vcs! Não tenho obrigação de ‘ajudar’ ninguém aqui”.
Prates continuou, furioso: “O que não vou fazer é ficar sujeito a chantagem e ameaça sentado na presidência da Petrobras. ‘Não dá para ficar tendo prejuízo sempre’? BEM-VINDO ao decantado capitalismo selvagem e ao mercado volátil e não protegido da amônia brasileira!”.
Roberta Luchsinger enviou os prints para Marcola, que prontamente se dispôs a conversar com Lula sobre o assunto.
A sequência de mensagens encontrada no celular da lobista mostra que, depois disso, Marcola entrou em ação.
Pouco mais de uma semana depois, em 10 de novembro, ela pede para que o chefe de gabinete de Lula acione o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, uma das peças do xadrez em torno do contrato da Unigel. Mas Marcola revela que acertou uma reunião com o titular da pasta logo antes de uma agenda de Silveira com Lula.
“Se vc puder depois dar um toque no ministro Alexandre”, escreveu Roberta.
“Eu tenho hj reuniao com o alexandre 14h30. ja combinei com ele. pois o pr fala com ele 15h”, respondeu o chefe de gabinete.
“Pede [a] ele pra falar da Unigel”, retrucou a lobista.
O contrato da Unigel com a Petrobras acabou sendo fechado em 29 de dezembro de 2023. Na ocasião, Leo agradeceu a Lulinha por instrução de Roberta:
“Bom dia amigo. Gostaria de agradecer seu apoio. Ontem assinamos o tolling… Estamos juntos… Vamos em frente com mais conquistas em 2024… Grande abraço… Boas festas”.
Em nota enviada à equipe da coluna, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República afirmou que “o presidente Lula não recebeu de nenhuma das pessoas citadas pela reportagem qualquer demanda relacionada ao contrato mencionado, nem manteve com elas interlocução sobre o tema” e que “afirmações de terceiros sobre suposta influência ou interlocução com o presidente não correspondem aos fatos”.
Ainda segundo a Secom, Lula “também não participou nem interferiu nas negociações entre as empresas” (leia a íntegra do comunicado ao final da matéria).
Marcola, por sua vez, declarou por meio de comunicado que procedeu conforme a “principal atribuição do chefe de gabinete”, que “é organizar agendas e encaminhar demandas que chegam à presidência”, e que “deu encaminhamentos institucionais aos assuntos pertinentes” no caso da Unigel, no qual a Petrobras e a empresa “travavam um embate”.
Em nota enviada pela assessoria do Ministério de Minas e Energia, a pasta afirmou que “o ministro Alexandre Silveira jamais foi abordado por Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para solicitar interferências em temas sob a alçada do MME”.
”Ressaltamos que, durante toda a sua atuação profissional, o Senhor Marcola acionou o ministro somente para tratar de agendas estritamente republicanas e institucionais”, segue o comunicado.
Procurada pela equipe da coluna, a Petrobras afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que “nenhum membro de sua diretoria executiva tratou de qualquer assunto” com Roberta Luchsinger, Marcola ou Lulinha, e frisou que as negociações com a Unigel para a retomada das fábricas arrendadas ocorreram em “absoluta conformidade”, cujos resultados se deram “de acordo com os interesses da empresa (veja a íntegra ao final da reportagem).
Mas o plano da Unigel previa ainda uma segunda etapa, o fechamento de um acordo de financiamento com o BNDES para a expansão da fábrica.
Em janeiro, Leo volta a mandar mensagem para Lulinha e pede uma oportunidade para conversar com o presidente da República.
“Ola amigo tudo bem? só vi a mensagem da Roberta só agora [sic]. Mas gostaria muito de falar com seu pai quando for possível… Estou a disposição e volto para SP dia 21 e marcamos um almoço sem falta. Grande abraço”, escreveu o empresário.
Lulinha responde: “Maravilha… Chegando me avisa q nos encontramos.”
O filho de Lula encaminha o print da conversa para Roberta, que cita o então chefe de gabinete do presidente:
“[Leo está] Super agradecido [com] a sua atuação. Ele sabe q isso só aconteceria se fosse realmente interesse do papis. Jaques e Rui tentaram capitalizar para eles… Mas nosso Marcolinha foi mais ligeiro”.
Cobranças
As discussões sobre o contrato entre a Unigel e a Petrobras se tornaram públicas, mas na ocasião se atribuía na Petrobras e no mercado a pressão para que o negócio fosse fechado à influência de Rui Costa, então ministro da Casa Civil, e dos senadores Jaques Wagner (PT-BA) Otto Alencar (PSD-BA), apelidados de “Clube da Bahia”.
Isso porque o grupo Cigel Participações, que controla a Unigel, é um generoso doador das campanhas dos petistas da Bahia. Em 2022, o dono da empresa, o belga naturalizado brasileiro Henri Armand Slezynger, pai de Leo, tratado como “Velho” ou “Véio” por Roberta nos diálogos, doou R$ 200 mil para a campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Slezynger é também amigo pessoal de Jaques Wagner, que era líder do governo Lula no Senado Federal na ocasião das negociações.
Roberta, porém, não só atuou intensamente para viabilizar o contrato como se vendia nas conversas com Leo como a maior responsável pelo sucesso da empreitada – ao lado de Lulinha.
Poucos dias após a assinatura do tolling, no início de janeiro de 2024, Roberta retomou a pressão sobre Leo, desta vez para assinar um segundo contrato de representação junto ao BNDES.
“Sem a gente não teria tolling… e sem a gente tb não vai ter a segunda parte. Vc sabe como foi difícil”, cobrou.
O contrato, por fim, foi assinado, mas o arranjo da Unigel não prosperou: em fevereiro de 2024, um relatório da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) especializada em petróleo apontou que o tolling daria prejuízo de R$ 487 milhões para a petroleira.
Diante dos questionamentos no processo relatado pelo ministro Benjamin Zymler, Roberta seguiu atuando em nome da Unigel nos bastidores do governo.
“Vocês e a Petrobras irão apresentar justificativas”, explicou a Leo. “Vamos falar com o presidente do TCU [à época Bruno Dantas]”.
Não adiantou. No mês seguinte, outro relatório da ala técnica do TCU apontou nove irregularidades graves no contrato firmado entre a empresa e a petroleira, entre elas o atropelo da governança da estatal para justificar o contrato com a petroquímica.
Em maio de 2024, Jean Paul Prates foi demitido por Lula após um intenso processo de fritura estimulado por Alexandre Silveira e Rui Costa. Mas a nova CEO, Magda Chambriard, não renovou o acordo com a Unigel sob o argumento de que a empresa não cumpriu as metas de eficácia estipuladas no contrato.
O contrato de Leo Slezynger também não durou. O último pagamento registrado pela PF ocorreu em 30 de julho de 2024.
Em outubro do mesmo ano, ela escreve para Marcola - “Meu, Leo parou ta… Terça te falo. Mas eu tô puta. Nem atendo. Ele tá louco pra conversar… Mas eu tô bem puta”.
A Unigel chegou a apelar ao Tribunal de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (CCI), e exigiu uma uma indenização da Petrobras pelos prejuízos com a paralisação das fábricas. A petroleira, por sua vez, também pleiteou uma reparação por prejuízos.
Em 2025, por decisão da Justiça arbitral, o contrato foi encerrado sem nenhuma indenização de parte a parte. A Unigel devolveu as fábricas e entrou em recuperação judicial. Em nota, a empresa afirmou que o acordo com a petroleira se deu por meio de "negociação conduzida em conformidade com todos os trâmites legais aplicáveis" (veja o inteiro teor da resposta abaixo).
Confira a íntegra da nota da defesa de Fábio Luís da Silva, o Lulinha:
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva não teve acesso a nenhum procedimento que trate dessa matéria e não comentará alegações não verificadas, especialmente citações de supostas mensagens cujo conteúdo deveria estar sob a guarda do aparato estatal.
O vazamento criminoso de dados sigilosos e trechos selecionados de inquéritos é um conhecido método, utilizado para apresentar hipóteses investigativas como fatos concretos, antes que passem por etapas de validação, contextualização, análise de provas de inocência e verificação de origem das informações. Ao mesmo tempo, nega-se à defesa o acesso aos dados originais, impossibilitando qualquer contextualização ou prova de inocência.
O motivo para a divulgação criminosa de teses antes do aprofundamento das investigações é o temor do vazador de que elas não sobreviverão às etapas de verificação e ao escrutínio da defesa. Quem comete o vazamento está fugindo da investigação, porque sabe da fragilidade das acusações.
O resultado disso são nulidades levantadas pela parcialidade e ilegitimidade na atuação dos agentes estatais que sacrificam a idoneidade da investigação, ao cometer crimes em troca de influenciar a imprensa e o processo eleitoral.
O cenário é semelhante ao que aconteceu no recente vazamento seletivo do inquérito do INSS, que levou a um linchamento público antecipado com desproporcional cobertura da mídia e clara intenção eleitoral. Aprofundadas as investigações, demonstrou-se que não existia conexão entre Fábio Luís e as fraudes do INSS apuradas na Operação Sem Desconto, na qual ele não foi sequer indiciado.
Reiteramos nosso respeito à liberdade de imprensa e ao sigilo das fontes, garantias que se aplicam à imprensa, mas não aos agentes estatais que abandonam sua obrigação legal de imparcialidade e proteção de investigações sigilosas. Não silenciaremos diante de crimes que prejudicam a investigação, o processo eleitoral e a confiança e dignidade das instituições policiais.
Quanto a qualquer procedimento legítimo, informamos que Fábio Luís permanece à disposição das autoridades e provará sua inocência nos autos, mas não permitiremos abusos e ilegalidades que tornam cada vez mais evidente a parcialidade e direcionamento político que contaminaram a investigação desde seu início.
Leia abaixo a nota completa da defesa de Roberta Luchsinger:
As supostas mensagens que vocês tiveram acesso são fruto de vazamentos criminosos que ocorrem às vésperas de uma eleição. Por trás de interesses inescrupulosos, vazam supostas conversas com a intenção de criar fatos políticos capazes de alterar o resultado das eleições.
Espero que as autoridades tomem uma atitude, não é possível continuarmos assim. Não importa a quem os vazamentos interessam, isso não ajuda em nada nossa democracia.
Roberto Podval
A seguir, o inteiro teor da manifestação da defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola:
A defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro não teve, até hoje, acesso à íntegra dos autos e do inquérito, que vem sendo parcialmente vazado com objetivo de distorcer o próprio teor da investigação.
Marco Aurélio nunca intermediou negociações, encaminhou documentos referentes a compras e licitações públicas ou atuou em favor de qualquer interesse privado ao longo do período em que esteve na chefia de gabinete da presidência.
Importante frisar que a principal atribuição do chefe de gabinete é organizar agendas e encaminhar demandas que chegam à presidência, exatamente como Marco Aurélio Ribeiro procedia enquanto esteve no cargo.
No caso em questão, é de conhecimento público que Petrobras e Unigel travavam um embate. Nesse contexto, Marco Aurélio Ribeiro deu encaminhamentos institucionais aos assuntos pertinentes. Vale ressaltar, ainda, que também são de conhecimento público diferentes tratativas oficiais ocorridas na ocasião em busca de uma solução para a divergência entre as empresas, sem prejuízo aos cofres públicos.
Leia abaixo a íntegra da nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República:
O presidente Lula não recebeu de nenhuma das pessoas citadas pela reportagem qualquer demanda relacionada ao contrato mencionado, nem manteve com elas interlocução sobre o tema. Também não participou nem interferiu nas negociações entre as empresas.
Cabe lembrar que as relações contratuais entre Petrobras e o grupo Unigel remonta a 2019 - portanto, no governo anterior. Em 2025, a Petrobras reassumiu as fábricas de fertilizantes da Bahia e de Sergipe, por meio de licitação de serviços de operação e manutenção das unidades, com outra empresa.
Afirmações de terceiros sobre suposta influência ou interlocução com o presidente não correspondem aos fatos.
Confira a seguir a íntegra da nota da Petrobras:
A Petrobras afirma que nenhum membro de sua diretoria executiva tratou de qualquer assunto com as pessoas citadas. A companhia reforça a absoluta conformidade das negociações que resultaram na retomada das operações das fábricas de fertilizantes na Bahia e em Sergipe, todas realizadas de acordo com os interesses da empresa.
O acordo foi realizado no âmbito do Tribunal Arbitral da Câmara de Comércio Internacional e observou a governança interna da companhia e a legislação aplicável. As tratativas para o encerramento de controvérsias contratuais referentes ao arrendamento das Fafens BA e SE pela Proquigel (empresa do grupo Unigel), firmado em 2019, ocorreram de acordo com todas as normas de governança da companhia. O acordo foi comunicado ao mercado pela Petrobras na ocasião.
As negociações envolveram representantes de ambas as empresas. O tema foi conduzido por comissões técnicas responsáveis pela análise e pela negociação, com foco no melhor resultado para a Petrobras, e submetido à apreciação das instâncias responsáveis.
Veja a íntegra da nota da Unigel:
Em 22 de maio de 2025, a Unigel e a Petrobras celebraram acordo para o encerramento das controvérsias contratuais e dos litígios existentes entre as partes, incluindo aqueles relacionados às plantas de fertilizantes localizadas na Bahia e em Sergipe. O acordo foi submetido a todas as instâncias internas competentes da Petrobras, inclusive ao seu Conselho de Administração, e homologado pelo Tribunal Arbitral responsável pelo procedimento.
Com a conclusão do acordo, as operações das fábricas na Bahia e em Sergipe foram retomadas pela Petrobras, em uma negociação conduzida em conformidade com todos os trâmites legais aplicáveis e divulgada nos canais da Petrobras.
A Unigel esclarece que jamais manteve relação contratual com a Sra. Roberta Luchsinger ou com qualquer empresa a ela vinculada.
Confira abaixo a nota do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira:
Em atenção aos seus questionamentos, informamos que o Ministro Alexandre Silveira jamais foi abordado por Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para solicitar interferências em temas sob a alçada do MME.
Ressaltamos que, durante toda a sua atuação profissional, o Senhor Marcola acionou o Ministro somente para tratar de agendas estritamente republicanas e institucionais.
Malu Gaspar - O Globo