Luiz Inácio Lula da Silva ainda não bateu o martelo, mas se depender do estado de ânimo dele nos últimos dias, o presidente não deve comparecer ao debate da TV Globo na próxima quinta-feira (1). Dois aliados próximos relataram à equipe da coluna que, embora defendam a ida de Lula ao embate, quem mais resiste a participar é do próprio Lula, que não quer se submeter ao modelo de discussão em que ele “faz uma pergunta, fala uns poucos minutos e depois fica meia hora apanhando de todos os outros”.
Seus interlocutores mais próximos têm insistido que ele deveria ir, uma vez que as pesquisas de opinião têm mostrado que a disputa entre ele e Flávio Bolsonaro (PL) está muito apertada. Acham que a eventual ausência poderia fazer alguma diferença contra Lula, ainda que marginal. Mas a possibilidade de ser exposto a cortes que o ridicularizem irrita o presidente, que ainda tem dito que não quer ir.
Nas conversas de bastidor, o presidente afirma que preferia debater somente com Flávio Bolsonaro – e que, por isso, no segundo turno, irá a todos os debates.
Já Flávio está treinando para o embate pelo menos desde terça-feira (29), prevendo dois cenários, um com Lula e outro sem.
Caso Lula não vá, Flávio pretende fazer perguntas ao púlpito vazio e falar textos feitos sob medida para os cortes nas redes sociais. Se Lula for, porém, além dos ataques já esperados, o candidato do PL vai investir no contraste entre os dois, tentando capitalizar o fato de ser mais jovem do que o presidente para supostamente transmitir uma imagem de dinamismo.
Essa é, pelo menos, a expectativa de integrantes da sua equipe. Na realidade, se Lula não for, Flávio vai se tornar o alvo preferencial de Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), que confirmaram presença e não poderão se dar ao luxo de aliviar a situação do filho de Jair Bolsonaro diante da audiência da TV.
Malu Gaspar - O Globo