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Governistas alinham discurso para descolar imagem de Lula de Jaques Wagner

Parlamentares da base têm buscado alinhar o discurso depois que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi alvo de operação da PF (Polícia Federal) que investiga o Banco Master. Aliados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a tentar desvincular a imagem do senador da figura presidente da República.

O esforço imediato é a redução de danos para que as investigações não impactem a campanha de Lula, que busca a reeleição nas eleições de outubro deste ano. A tendência é individualizar o senador e outros eventuais investigados para preservar Lula.

Um dos primeiros a se manifestar neste sentido foi o deputado Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara. De acordo com ele, Wagner deveria deixar o cargo de liderança. O deputado fez questão de reforçar o compromisso de Lula nas apurações feitas pela Polícia Federal.

“O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim! Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas”, publicou nas redes sociais.

O próprio governo deu eco a esse discurso. O ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais) da Presidência da República, José Guimarães (PT-CE), também disse que a posição do Planalto é que todos os suspeitos devem ser investigados. Ele ressaltou que a atual gestão não tem vínculo com os escândalos do Banco Master.

“Não tem nada a ver com o nosso governo. O governo anterior é o grande responsável, e nós queremos que as investigações aconteçam com todo o rigor. A Polícia Federal tem autonomia para investigar, apurar tudo. Queremos que as apurações sejam feitas, doa a quem doer”, disse o ministro.

Em meio às investigações, Lula deve se reunir com Jaques na próxima semana.

Oposição pressiona

Parlamentares da oposição e aliados do governo partiram para a ofensiva e viram uma oportunidade de reverter o quadro político-eleitoral depois que o pré-candidato à Presidência pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), teve áudios vazados expondo uma relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Durante um evento em São Paulo, o bolsonarista disse que o "PT da Bahia foi implodido pela Polícia Federal".

Já o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), acusou o PT (Partido dos Trabalhadores) de "enlamear os outros com a própria lama".

Além disso, a oposição aproveitou a nova fase da operação da PF para voltar a pressionar pela instação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso Master.

Mudança na liderança do governo

A definição sobre uma eventual mudança na liderança do governo no Senado ainda é incerta. A repercussão negativa sobre o Planalto preocupa uma ala importante do PT, que defende a saída de Jaques do posto. Há, no entanto, um discurso público de defesa do senador.

O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o parlamentar é “depositário de confiança”, mas disse que o partido apoia “todas as apurações envolvendo o Banco Master”.

“Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, escreveu.

Na mesma linha, o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, reforçou a “confiança” do partido em Jaques Wagner e afirmou que “uma tentativa de equiparar relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua”.

O próprio senador afirmou que não pedirá para deixar o cargo e disse que Lula sequer falou sobre isso com ele durante um telefonema após as investigações.

“Não acho que o Lula vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, afirmou.

A troca de Jaques Wagner já era ventilada desde a rejeição de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal). A aprovação do advogado-geral da União era vista pelo governo com favoritismo no Senado. Depois que o nome dele foi reprovado na Casa Alta, Wagner foi visto como um dos principais responsáveis pela falta de articulação no Congresso.

O próprio líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, disse na ocasião que alguns líderes estavam passando por uma espécie de “desgaste”. Segundo ele, o governo se descuidou de um grande acordo que estava em andamento, esperou para ver e acabou sendo derrotado.

Mesmo evitando falar em “caça às bruxas”, Uczai reforçou que é preciso fazer mudanças na representação do governo no Congresso por um "desgaste" natural.

"Mapear traições não resolve nada, aprofunda os conflitos. Podia ser uma tática, mas o caminho é recompor a base do governo no Senado, recolocar o papel das lideranças, se coloca outras lideranças ou não. Tem que dialogar. Certamente alguns já se desgastam", afirmou à época.

CNN Brasil

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