O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mudou o endereço comercial de sua empresa na Espanha para uma área valorizada de Madri.
A notícia é da CNN Brasil. A alteração ocorreu em abril, mas os dados cadastrais da companhia foram atualizados somente na semana passada. Lulinha é alvo de investigações da Polícia Federal brasileira por suspeitas de tráfico de influência e outros crimes.
A Synapta SL passou a funcionar no 9º andar de um edifício localizado no número 130 do Paseo de la Castellana, um dos principais eixos empresariais da capital espanhola. O endereço anterior ficava na Calle Agustín de Foxá, nº 4, também em Madri. A informação foi publicada pelo Metrópoles e confirmada pela CNN junto ao Registro Mercantil de Madrid.
O cadastro aponta capital social de 3 mil euros. O relatório mostra ainda que a Synapta foi constituída em janeiro deste ano e atua no setor de tecnologia da informação. Fábio Luís aparece como administrador único e acionista majoritário da companhia. A sociedade é registrada como uma empresa limitada unipessoal.
Dados mais detalhados do registro indicam que Lulinha detém 100% da empresa e foi nomeado administrador único em fevereiro. O capital social declarado é de 3 mil euros.
O novo escritório fica em um complexo de coworking no coração financeiro de Madri e a cerca de 650 metros do estádio Santiago Bernabéu, do Real Madrid. A mudança ocorre no mesmo ano em que a situação de Lulinha passou a ser analisada em diferentes frentes pela Polícia Federal.
No fim de julho, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou investigação para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção passiva envolvendo negociações no Ministério da Saúde que teriam como objetivo favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Há ainda apurações relacionadas à Dataprev e à empresa 3Structure It. Em uma delas, investigadores suspeitam que um empresário do setor de tecnologia tenha atuado com Lulinha, o Careca do INSS e a empresária Roberta Luchsinger na tentativa de obter contratos com o governo federal. Em outra frente, a suspeita é de que o filho do presidente tenha usado o nome de Lula em favor de empresas parceiras.