A defesa de Raimundo Cutrim, alvo de uma operação de busca e apreensão na terça-feira (11) por ser a fonte do jornalista maranhense Luís Pablo, divulgou nesta quarta-feira (12) uma nota pública na qual sugere que a operação ocorreu por ser “reconhecidamente inimigo de Flávio Dino”.
A notícia é da CNN Brasil. “Esta não é a primeira operação contra o Sr. Cutrim, e o dado mais eloquente desta história foi dito por ele mesmo antes de qualquer diligência. Em vídeo público gravado em 11 de julho de 2026, dias antes das medidas, o Sr. Cutrim relatou que pessoas próximas ao Ministro Flávio Dino — parlamentares que ele denominou ‘dinistas’ — mandavam recados anunciando que ele seria preso, criando um verdadeiro clima de terror no meio da disputa eleitoral maranhense. Foi por essa corrente de boatos, e não por qualquer notificação oficial, que ele tomou conhecimento da iminência das ações judiciais. Naquele momento, o Sr. Cutrim manifestou publicamente sua surpresa e estranheza em ser processado por alguém que é seu reconhecidamente inimigo político pessoal, desde os tempos em que Flávio Dino era governador do Maranhão e ele, deputado estadual”, disse em nota o advogado José Berilo de Freitas Leite Filho.
Na sequência, disse que “poucos dias depois, em 17 de julho, veio o mandado de busca, apreensão e prisão preventiva — decretado pelo próprio Ministro Flávio Dino —, convertido em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica” e que “agora, menos de um mês depois, nova operação de busca e apreensão, determinada pelo Ministro Alexandre de Moraes em atendimento a representação formulada pelo Ministro Flávio Dino”.
Sobre a operação de terça-feira, o advogado disse ainda que as denúncias do jornalista de suposta utilização irregular de veículos oficiais por Dino, até onde se tem notícia, seguem sem qualquer apuração.
Também afirma que “como os autos tramitam sob sigilo, não é dado à defesa confirmar nem infirmar o alegado (de que é a fonte do jornalista)”.
“Mas o princípio em jogo não depende dos autos: o sigilo da fonte é garantia expressa do art. 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, e a medida instaura precedente que ameaça não apenas a imprensa, mas todo e qualquer cidadão que comunique fatos de interesse público a um jornalista. Primeiro o jornalista, alvo de operação em março; agora a sua fonte. Investigam-se quem revelou a irregularidade, mas não a irregularidade em si”, complementou.
O advogado se manifestou também sobre a suspeita de que o jornalista recebeu R$ 100 mil para publicar a informação contra o ministro.
“Os elementos que vêm sendo divulgados acerca de movimentações financeiras — igualmente extraídos das matérias jornalísticas — dizem respeito, segundo o que se noticia, à relação entre o jornalista e o seu advogado, pessoa sem qualquer vínculo com o Sr. Raimundo Cutrim. Nenhum valor é imputado ao Sr. Cutrim em qualquer das decisões cujo teor veio a público, nem a ele nem à sua defesa é atribuída participação nas transações mencionadas. Eventuais esclarecimentos serão prestados oportunamente, conforme o acesso pleno aos autos”, declarou.
Ao final, afirmou que “o Sr. Raimundo Cutrim dedicou décadas ao serviço público, jamais foi condenado por qualquer ilícito e reafirma sua confiança na Justiça e no devido processo legal” e que ele “permanece à disposição para os esclarecimentos que se fizerem necessários”.