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[VIDEO] Missão secreta do Air Force One na Turquia envolveu avião similar ao que trouxe Biden a Natal na Copa 2014

A notícia é do Blog P47, de Leonardo Dantas:

A missão secreta de retirada do presidente americano Donald Trump, no dia 8 de julho, no trajeto entre a Turquia e o Reino Unido após a reunião de cúpula da Otan e ameaças do Irã, foi confirmada pelo próprio presidente em conversa com repórteres:

“Eu sigo as orientações do Serviço Secreto e dos militares. Eles queriam que eu fosse em outro voo, em outro avião”, disse Trump a repórteres.

Uma operação digna de um filme de espionagem veio à tona semanas depois de acontecer, quando o presidente Donald Trump embarcou publicamente no Air Force One diante das câmeras. Mas aquele não seria o avião que o levaria para fora do país.

Segundo investigação publicada pelo The Washington Post, Trump foi discretamente retirado do avião presidencial e transportado por um caminhão de serviço aeroportuário até outra aeronave, um Boeing C-32A da Força Aérea dos Estados Unidos. O “Air Force One”, com cerca de 100 pessoas, entre jornalistas, assessores e integrantes da equipe presidencial, teria seguido como uma espécie de aeronave-isca. Imagens analisadas pelo jornal registraram o deslocamento do caminhão entre as duas aeronaves no aeroporto de Ancara, na Turquia.

A operação teria sido motivada por uma ameaça considerada suficientemente séria contra Trump, mais provável um míssil terra-ar. A informação ganhou ainda mais peso depois que Trump confirmou que a mudança de aeronave ocorreu por orientação do Serviço Secreto e dos militares, alegando que sua segurança estava em jogo.

De Air Force One para um C-32A

O C-32A é uma versão militar do Boeing 757-200 utilizada pela Força Aérea americana para o transporte de autoridades de alto escalão. Seu principal usuário tradicional é o vice-presidente, que, quando está a bordo, utiliza o indicativo Air Force Two. O avião também pode transportar a primeira-dama, integrantes do gabinete presidencial, membros do Congresso e outras autoridades.

Em junho de 2014, dois C-32A da Força Aérea dos Estados Unidos pousaram no então Aeroporto Internacional Augusto Severo, em Parnamirim, trazendo o vice-presidente Joe Biden para Natal, onde ele acompanhou uma partida da Copa do Mundo. Na ocasião, a operação envolveu um grande esquema de segurança e a aeronave presidencial de apoio permaneceu na Base Aérea de Natal.

O Air Force One

O Air Force One não é simplesmente um Boeing 747 pintado com as cores da bandeira americana. O nome, tecnicamente, é o indicativo de chamada utilizado por qualquer aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos que esteja transportando o presidente. Atualmente, o principal avião presidencial é o VC-25A, uma versão profundamente modificada do Boeing 747-200B.

Existem dois VC-25A na frota presidencial, os aviões de matrícula 28000 e 29000. Eles possuem instalações médicas, áreas de trabalho, sistemas especiais de comunicação e equipamentos eletrônicos que os diferenciam radicalmente de um Boeing 747 convencional. O avião também possui capacidade de reabastecimento em voo, algo particularmente relevante para uma aeronave responsável por transportar o presidente americano em situações de crise.

Existem dois 747 a serviço da Casa Branca

É justamente aqui que a história de Trump na Turquia ganha uma dimensão ainda mais curiosa. O VC-25A foi concebido para manter o presidente protegido e capaz de exercer suas funções mesmo em situações extremas. Seus sistemas de comunicação são projetados para permitir contato seguro com o governo americano, enquanto a aeronave possui equipamentos de autoproteção e tecnologias destinadas a aumentar sua sobrevivência diante de ameaças.

Grande parte dessas capacidades permanece classificada. Fontes públicas e documentos da própria Força Aérea confirmam, entretanto, a existência de sistemas especiais de comunicação, equipamentos eletrônicos diferenciados, capacidade de reabastecimento aéreo e sistemas de defesa instalados ou previstos para a família de aeronaves presidenciais.

É importante fazer uma distinção: o Air Force One não é conhecido publicamente como uma aeronave de combate e não existe confirmação oficial de que o VC-25A disponha de armamento ofensivo convencional. Sua “ofensiva”, nesse sentido, está muito mais associada à capacidade de comando, comunicações e continuidade do governo do que ao emprego de armas.

Sua proteção, por outro lado, é um dos aspectos mais sensíveis do programa. Sistemas de alerta, guerra eletrônica e contramedidas contra ameaças são justamente áreas nas quais os detalhes permanecem sob sigilo.

Se o Air Force One é uma das aeronaves mais protegidas do planeta, por que retirar o presidente dele?

A resposta pode estar justamente na lógica de segurança: às vezes, a melhor proteção não é reforçar a defesa do alvo conhecido, mas fazer com que o adversário não saiba onde o alvo realmente está.

Foi exatamente esse o elemento mais cinematográfico da operação.

Trump apareceu publicamente embarcando no Air Force One. Jornalistas e integrantes da comitiva acreditavam que aquele seria o avião utilizado pelo presidente. Depois, porém, o presidente teria sido levado secretamente para o C-32A enquanto o VC-25A permanecia como elemento de dissimulação.

O Washington Post afirma que imagens obtidas e analisadas pelo jornal permitiram acompanhar o trajeto do caminhão de serviço entre o Air Force One e o C-32A. A operação permaneceu em segredo por semanas, até ser revelada pela reportagem publicada em agosto.

Para a segurança presidencial, a lógica é simples: se uma ameaça estiver direcionada ao Air Force One, fazer com que o adversário acredite que Trump está dentro dele pode criar uma oportunidade para retirar o verdadeiro alvo da equação.

A história do Air Force One nasce indiretamente em Natal

A história da aviação presidencial americana possui uma ligação ainda mais antiga com a capital potiguar.

Em janeiro de 1943, Franklin Delano Roosevelt tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a viajar de avião em uma missão oficial. O presidente atravessou o Atlântico a bordo do hidroavião Boeing 314 Dixie Clipper para participar da Conferência de Casablanca, no Marrocos, onde se reuniu com Winston Churchill.

Na volta, o presidente americano passou por Natal em 28 de janeiro de 1943. Ou seja: Natal entrou para a história da aviação presidencial americana praticamente no nascimento das viagens aéreas de um presidente dos Estados Unidos. O código “Air Force One” surge apenas nos anos 1950, após um incidente aérea envolvendo o transporte oficial do então presidente Dwight D. Eisenhower e um voo comercial.

 

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