A ADUFERSA (Associação dos Docentes da UFERSA) realizou nesta quarta-feira (14) uma assembleia que deliberou apoio formal à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. A entidade não parou na declaração política.
Aprovou também um plano de mobilização: produção de material gráfico de campanha, uma "aula pública" com estudantes e agendas de atos em bairros. Trata-se da estrutura de um sindicato posta a serviço de uma candidatura partidária específica.
A ADUFERSA é uma associação mantida por contribuições da categoria docente, com função estatutária de defender interesses profissionais como salário, condições de trabalho, carreira e financiamento da pesquisa. Ao organizar atos de rua para reforçar uma candidatura presidencial, a entidade extrapola esse objeto. A conta é paga por todos os associados, inclusive aqueles que apoiam o adversário ou nenhum dos dois candidatos.
Chama atenção o caráter ampliado do encontro. Participaram o coordenador do SINTEST/Ufersa, representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e o próprio reitor da universidade, Rodrigo Codes. A presença de uma autoridade acadêmica máxima em uma assembleia que termina em deliberação eleitoral formal fragiliza a neutralidade institucional esperada de uma universidade pública.
Para o professor, o estudante ou o técnico que não compartilha dessa posição política, o episódio pode gerar sensação de pressão por conformidade dentro do próprio ambiente de trabalho.