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A casa caiu? Líder do Governo Lula é alvo de delação do INSS

A Polícia Federal intimou 31 investigados no escândalo bilionário de fraudes no INSS após o empresário Maurício Camisotti fechar acordo de delação premiada. No meio da lista, um nome que deveria causar constrangimento no Palácio do Planalto: o senador Weverton Rocha (PDT-MA), líder do governo Lula no Senado e relator da indicação de Jorge Messias ao STF.

Camisotti, preso desde setembro na Operação Sem Desconto, confessou ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão por meio de três entidades de fachada que aplicavam descontos indevidos nos contracheques de aposentados e pensionistas. O rombo total pode chegar a R$ 6,3 bilhões, com mais de cinco milhões de beneficiários lesados entre 2019 e 2024. Gente que mal consegue pagar o remédio do mês tinha parte do benefício sugado por um esquema que operava com a tranquilidade de quem sabe ter proteção política.

Na delação, Camisotti citou nominalmente três parlamentares como sustentação política do esquema: Weverton Rocha, além dos deputados Euclydes Pettersen e Maria Gorete Pereira. A PF identificou indícios de repasses mensais de R$ 50 mil a pelo menos 15 parlamentares em troca de influência sobre decisões internas do INSS. Um balcão de negócios montado dentro da Previdência, bancado pelo aposentado brasileiro.

Entre os intimados estão o filho do famigerado "Careca do INSS", o sócio oculto do grupo, ex-assessores diretos de Weverton Rocha, o ex-secretário executivo do Ministério da Previdência e a lobista Roberta Luchsinger, descrita como amiga de Lulinho. As conexões com o entorno do poder são evidentes demais para serem tratadas como casualidade.

Segundo a revista Veja, Camisotti detalhou que pelo menos um integrante do primeiro escalão do governo Lula sabia das fraudes e nada fez. Silêncio, nesse caso, não é omissão. É cumplicidade. Outros quatro investigados já negociam seus próprios acordos de colaboração, o que indica que o escândalo está longe de atingir o teto.

Weverton Rocha reagiu com nota protocolar: "O Senador rechaça qualquer tentativa de vinculá-lo a esse esquema, não conhece, nunca recebeu ou conversou com essa pessoa." Rechaçar é fácil. Difícil vai ser explicar por que dois ex-assessores seus estão na lista da PF. No governo que prometeu acabar com o sigilo, o silêncio sobre as ligações políticas do maior escândalo previdenciário do país é ensurdecedor.

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