Depoimentos do caso de assédio sexual envolvendo o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi indicam a existência de outras duas mulheres que seriam possíveis novas vítimas do magistrado. Buzzi está afastado de suas funções enquanto responde por acusações de importunação e assédio sexual feitas por duas mulheres.
A defesa do ministro nega as acusações e diz que o vazamento de depoimentos “viola as regras de sigilo do procedimento, atenta contra as garantias fundamentais do investigado e visa, deliberadamente, pressionar o Superior Tribunal de Justiça”.
Segundo os advogados Paulo Emílio Catta Preta e Maria Fernanda Ávila, “as duas supostas novas vítimas mencionadas pelo jornal não são novas e nem são vítimas. As referências às duas mulheres surgiram no início do caso e foram logo descartadas por falta de qualquer fundamento”.
Ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ex-funcionária do STJ que acusa Buzzi de assédio cita um episódio no qual outra funcionária terceirizada do gabinete teria sido vítima. Segundo ela, a suposta vítima seria sobrinha de uma funcionária da casa de Buzzi que teria sido contratada como uma espécie de estagiária no gabinete.
“Em um determinado momento, eu vi a X saindo chorando da sala do ministro e ela me relatou que o ministro tinha solicitado que, quando ela fosse trabalhar, fosse somente de cabelo amarrado, sem maquiagem, e que usasse saia. E (também) que ela excluísse a foto de WhatsApp dela e que utilizasse a foto que ele mesmo tirou dela lá no gabinete”, relatou.
Uma testemunha ouvida pelo CNJ confirmou que a ex-funcionária que acusa Buzzi contou a ela sobre o caso envolvendo a estagiária. A testemunha narrou ao CNJ a história contada pela vítima e disse que estranhou a forma como essa terceira pessoa ingressou e depois deixou o trabalho no gabinete.
“Eu achei muito estranha a forma como ela entrou, não ficou muito tempo. Ficou pouco tempo e depois não foi mais. Não apareceu mais”, disse, contando sobre o relato que ouviu. “O ministro queria que ela usasse só um tipo de roupa, uma saia, andasse com o cabelo preso, alguma coisa assim”, completou.
A vítima ouvida pelo CNJ mencionou ainda o caso de uma quarta pessoa, que teria deixado um alto cargo no gabinete após ter sofrido assédio sexual.
Os depoimentos estão sob segredo de Justiça e foram obtidos pelo Estadão. Com base nos relatos e em outros elementos de prova, o STJ vai decidir na próxima terça-feira, 14, se abre processo administrativo contra o ministro. A tendência é que a resposta seja positiva. Ao fim do procedimento, o tribunal decidirá se condena, ou não, Buzzi.
Antes da ex-funcionária, uma jovem de 18 anos relatou ter sido importunada sexualmente pelo ministro. O crime teria ocorrido durante o recesso, quando Buzzi recebeu uma família de amigos em sua casa de praia, em Balneário Camboriú (SC). A filha do casal, que chamava o ministro de tio, relatou que Buzzi tentou agarrá-la à força. O magistrado também nega essa acusação.
Em nota, a defesa do ministro nega que ele tenha cometido os crimes. Leia abaixo o que dizem os advogados:
A defesa do Ministro Buzzi repudia o vazamento do depoimento da segunda denunciante, divulgado em texto e vídeo nesta semana.
Estadão