O deputado federal Sargento Fahur (PL-PR) protagonizou um dos momentos mais tensos da audiência com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, realizada nesta terça-feira (9).
O parlamentar questionou diretamente o ministro sobre a transferência do delegado da Polícia Federal Guilherme Figueiredo Silva, que era responsável pelas investigações que envolvem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, no escândalo dos descontos ilegais de aposentados e pensionistas do INSS.
A pergunta de Fahur foi direta e incômoda: por que o delegado que conduzia as investigações com independência foi retirado do caso sem justificativa pública e sem comunicação prévia ao ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF?
O ministro Wellington Lima não conseguiu apresentar uma resposta objetiva. Em sua manifestação, o chefe da pasta da Justiça e Segurança Pública recorreu a explicações genéricas e protocolares, sem enfrentar o mérito da questão levantada pelo deputado. A evasiva do ministro reforçou a tese sustentada pela oposição de que não há resposta satisfatória para a transferência do delegado, alimentando a suspeita de que a mudança teria motivação política.
A troca do delegado Guilherme Figueiredo Silva já havia sido questionada publicamente pelo senador Sergio Moro (PL-PR), que em maio deste ano criticou a substituição no plenário do Senado e a classificou como injustificável. Segundo Moro, o delegado atuava com independência e conduzia diligências que abrangiam suspeitas relacionadas diretamente ao filho do presidente da República.
A Polícia Federal alegou, em ofício ao STF, que a transferência foi meramente administrativa: o inquérito teria sido remanejado da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq), área especializada em investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado. No entanto, a explicação burocrática não convenceu parlamentares da oposição, que continuam tratando o episódio como interferência nas investigações.
Sargento Fahur, que é policial militar aposentado e titular da Comissão de Segurança Pública, não aceitou a resposta do ministro e insistiu que a transferência tem todos os contornos de uma tentativa de blindar investigados. O deputado é conhecido por seus questionamentos frontais e já havia cobrado, em outras ocasiões, mais transparência do governo na condução de casos sensíveis envolvendo autoridades.
O episódio adicionou mais tensão a uma audiência que já havia sido marcada por discursos duros de parlamentares como a deputada Heloisa Helena (REDE-RJ), que criticou a ausência de políticas de prevenção, repressão e reabilitação no país, e por cobranças da oposição sobre o plano do governo de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima.
A pergunta de Fahur permanece sem resposta convincente e se soma ao conjunto de questionamentos que a oposição pretende usar para pressionar o governo na agenda de segurança pública e transparência institucional às vésperas das eleições de 2026. (Fontes: Câmara dos Deputados, Senado Federal, O Globo, Folha de S.Paulo)