A notícia é do R7:
Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e apontado como principal líder do Tren de Aragua, morreu após uma operação conjunta entre Estados Unidos e Venezuela. Considerado um dos criminosos mais procurados da América Latina, ele era acusado de comandar a expansão internacional da facção venezuelana, que passou de um grupo formado dentro de uma prisão para uma rede criminosa com atuação em diversos países.
A morte de Guerrero foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o Comando Sul americano realizou um ataque “rápido e letal” contra o líder criminoso. O governo venezuelano também confirmou a operação, realizada no estado de Bolívar, e informou que Guerrero foi “neutralizado” durante confrontos.
Nascido em 1983, em Maracay, capital do estado de Aragua, Guerrero entrou no crime no começo dos anos 2000, em ocorrências ligadas a roubos e outros delitos. Em 2005, foi acusado de atacar uma delegacia de polícia e matar o cabo Oswaldo González.
Já em 2010, foi preso por crimes como homicídio, tráfico de drogas e roubo, sendo encaminhado ao Centro Penitenciário de Aragua, conhecido como presídio de Tocorón. Foi dentro da unidade que Guerrero ampliou sua influência, assumiu o controle da organização e se tornou o principal líder do Tren de Aragua.
Depois de escapar da prisão em 2012 e ser localizado novamente no ano seguinte, ele voltou para Tocorón, onde fortaleceu seu domínio sobre a facção e passou a ser considerado um dos criminosos mais poderosos da Venezuela.
Em 2018, recebeu uma condenação de 17 anos de prisão. Mesmo atrás das grades, manteve o comando do grupo, que atualmente é classificado pelo governo dos EUA como uma organização terrorista.
Prisão foi transformada em centro de comando
Durante o período em que esteve à frente de Tocorón, a prisão passou a ser vista como a base de operações do Tren de Aragua. Relatos indicam que o local tinha uma estrutura incomum para uma unidade prisional, com piscina, boate, cassino, restaurantes, bares, caixas eletrônicos, áreas de lazer e até um zoológico com animais como onças, pumas e avestruzes.
Guerrero teria mantido influência sobre integrantes da organização a partir de dentro do presídio, coordenando atividades criminosas e ampliando o alcance da facção.
Em 2023, uma operação militar venezuelana tentou retomar o controle de Tocorón. Durante a ação, foram encontrados arsenais de guerra, incluindo granadas, explosivos e armas pesadas, além de túneis usados para acesso ao exterior. Guerrero conseguiu fugir novamente e passou a ser considerado um dos principais alvos das autoridades internacionais.
Expansão além da Venezuela
Sob o comando de Niño Guerrero, o Tren de Aragua ganhou força fora da Venezuela. A organização passou a atuar em diferentes países da América Latina, acompanhando rotas migratórias e criando conexões com grupos criminosos locais.
As autoridades atribuem à facção crimes como tráfico de drogas, extorsão, sequestros, tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, mineração ilegal e lavagem de dinheiro.
No Brasil, investigações apontam presença do grupo principalmente na região Norte, especialmente em áreas de fronteira com a Venezuela. Autoridades também investigam possíveis relações da organização com facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Acusações nos Estados Unidos
Guerrero era alvo das autoridades americanas. Ele foi denunciado em um tribunal federal de Nova York por acusações que incluíam conspiração criminosa, terrorismo, tráfico de drogas e crimes envolvendo armas de fogo.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia oferecido uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura.