Na transmissão da CazéTV após o empate de 1 a 1 entre Brasil e Marrocos, no sábado (13), Fernanda Gentil perguntou a Romário se o resultado tinha "gosto de derrota". O ex-jogador discordou: "Quem não conhece muito de futebol vai ter esse pensamento que você tem".
O comentário viralizou. Nas redes sociais, parte da audiência interpretou a resposta como grosseria direcionada à jornalista.
A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) foi além e acusou Romário de praticar "machismo estrutural". Outros perfis de esquerda replicaram a narrativa, classificando a fala como exemplo de homens que desqualificam mulheres no debate esportivo.
O problema é que Romário não fez referência ao gênero de Fernanda Gentil. Discordou de uma opinião. Disse que quem acha que empate na estreia de Copa contra Marrocos é derrota não conhece o contexto do torneio. É uma avaliação técnica, compartilhada por ex-jogadores e analistas ao longo do fim de semana.
A própria Fernanda Gentil encerrou a polêmica no domingo (14). "Não veio para o meu coração, não bateu em mim. Eu e o Romário já trabalhamos juntos e nos conhecemos pessoalmente", disse na CazéTV. E completou: "Não foi isso que ele quis dizer. Ele não quis dizer que eu não soubesse de futebol".
Romário também se pronunciou pela RomárioTV: "A Fernanda é uma das 10 pessoas que mais conhecem futebol no nosso país, na minha opinião. Houve um desencontro, a gente começou falando, foi cortado, voltou. Fe, tem meu respeito, você é simplesmente f***".
A tentativa de enquadrar a divergência como machismo revela mais sobre o método da acusação do que sobre o episódio em si. Quando os dois envolvidos dizem que não houve conflito, insistir na narrativa de opressão transforma uma discordância jornalística em palanque ideológico.
No futebol, discordar de uma análise faz parte do jogo. Sempre fez. Independentemente de quem esteja do outro lado da bancada.