O ex-senador e ex-candidato ao governo do Rio Grande do Norte Styvenson Valentim se pronunciou nesta terça-feira (16) sobre o atentado contra o vereador de Mossoró Cabo Deyvison (PL), que resultou na morte do assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais na noite de segunda-feira (15).
Em vídeo publicado nas redes sociais, Styvenson fez críticas duras ao governo estadual, acusou políticos de "hipocrisia" ao prestarem solidariedade ao vereador e contestou frontalmente a posição da Secretaria de Segurança Pública (Sesed), que descartou motivação política para o crime. "Ainda vem me dizer, Coronel Araújo, que não teve motivação política. O crime organizado tá na política sim, viu? Tá na política. O senhor sabe", afirmou.
Styvenson resgatou o debate eleitoral de 2022, quando disputava o governo e confrontou a então candidata à reeleição, a governadora Fátima Bezerra (PT), sobre o enfrentamento às facções criminosas no estado. Na ocasião, ele questionou se o governo havia optado por "fazer acordo" com organizações criminosas em vez de combatê-las com rigor.
O ex-senador lembrou que, após aquele período, o Rio Grande do Norte viveu uma onda de ataques coordenados por facções, com explosões em pontes, tiros contra pelotões policiais e incêndios em maquinários de prefeituras. "Todo mundo sabe quem é esse bandido, minha senhora. Todo mundo sabe no Rio Grande do Norte que essas facções não foram embora não. Não é só em Mossoró, não, no Rio Grande do Norte todo", declarou.
Em tom incisivo, Styvenson rebateu diretamente a declaração do secretário de Segurança, coronel Araújo, que afirmou em coletiva na manhã desta terça que não havia, até o momento, linha de investigação relacionada à motivação política no atentado. Para o ex-senador, a motivação do crime é múltipla e indissociável da dimensão política. "Foi política também. É política, é social, é econômica, é todo tipo de motivação, porque o Cabo Deyvison é político, é policial, tá fazendo bom trabalho aí em Mossoró", argumentou.
Ele também criticou o que chamou de uso de R$ 36 milhões em publicidade institucional pelo governo do estado para "calar a imprensa", afirmando que o poder público tem dinheiro para propaganda, mas não para acabar com as facções. "Se o Cabo Deyvison, que é polícia há 14 anos e é um policial bom, não se sente seguro, imagine você, cidadão", provocou.