O ministro André Mendonça, do STF, determinou que os detalhes da operação contra o senador Jaques Wagner não fossem comunicados ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, antes de sua deflagração. A justificativa oficial foi preservar o sigilo e a imparcialidade da investigação. Mas o que essa decisão revela vai além do protocolo.
Andrei Rodrigues não soube que Wagner era o alvo principal da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Estava na França, ao lado do presidente Lula, durante o G7, quando a PF cumpria 18 mandados de busca e apreensão em Brasília, Salvador e São Paulo. O presidente da República e o chefe da Polícia Federal souberam pela imprensa, como qualquer cidadão.
Isso não é coincidência. É consequência direta de um histórico que persegue Andrei Rodrigues há meses: a reputação de ser o canal entre a PF e o Palácio do Planalto. Em operações anteriores envolvendo aliados do governo, o diretor-geral foi informado previamente e chegou a ir pessoalmente ao Palácio da Alvorada comunicar Lula, como aconteceu no caso do INSS. Desta vez, Mendonça cortou esse caminho desde o início.
A decisão foi tomada em fevereiro, quando Mendonça assumiu a relatoria do caso Master. Desde então, a cúpula da PF foi deliberadamente mantida fora do circuito de informações da investigação. O resultado é que, pela primeira vez em muito tempo, o governo não teve chance de se preparar para o impacto político de uma operação contra um de seus principais aliados.
Quando um ministro do STF precisa blindar uma investigação do próprio diretor-geral da Polícia Federal, isso diz muito sobre onde estamos.