Helga Oliveira se foi e eu perdi uma amiga de faculdade, de vida e de caminhada
Hoje é um dia muito triste. Helga Oliveira não está mais aqui. E eu ainda estou tentando encontrar palavras para descrever o que sinto, sem conseguir.
Helga e eu fizemos faculdade de jornalismo juntos. Éramos do mesmo grupo, daqueles grupos que se formam nos primeiros dias de aula e que a vida vai confirmando ao longo dos anos. Saímos da faculdade, cada um seguiu seu caminho, mas nunca nos perdemos. Nos falávamos, nos encontrávamos, trocávamos mensagens. Era aquela amizade que não precisa de frequência para existir. Estava lá sempre.
Acompanhei de perto o sucesso dela no jornalismo esportivo, o casamento com Luís Henrique, os nascimentos de Pedro e de Caio. Cada etapa celebrada à distância mas com o carinho de quem torce de verdade.
Helga era uma pessoa doce. Tranquila. Daquelas que a gente encontra e sente que o mundo fica mais leve. Sempre cuidou da saúde, com uma atenção especial depois que perdeu um irmão muito novo para o câncer. Sabia o que a doença pode fazer. Conhecia a dor dessa perda de perto.
Há pouco tempo ela foi a Brasília com o filho Pedro, porque ele queria conhecer o Congresso. Lembro com clareza da felicidade dela me contando a viagem. O brilho nos olhos de mãe que estava realizando o sonho do filho. Aquela Helga, feliz, presente, cheia de vida, é a que eu guardo.
Ela vinha enfrentando uma leucemia com a mesma serenidade com que enfrentava tudo na vida. Foi entre uma sessão de quimioterapia e outra, com as defesas baixas, que pegou uma infecção pulmonar. E não resistiu.
Em Luís Henrique ela sempre teve um parceiro de verdade. Um companheiro. Aquele casal com cumplicidade e sintonia que a gente olha e pensa que é assim que tem que ser.
Que Deus conforte Luís, Pedro e Caio nesse momento que não tem tamanho. E que dê força aos pais dela para enfrentar a dor de perder outro filho. Nenhum pai deveria passar por isso uma vez. Duas vezes é uma crueldade que só a fé ajuda a suportar.
Descanse, Helga.