O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma estratégia diferente da utilizada durante o primeiro tarifaço, em 2025. Se no ano passado suas reações associavam as sanções americanas à atuação do Supremo Tribunal Federal, do ministro Alexandre de Moraes e ao julgamento de Jair Bolsonaro, agora o alvo é exclusivamente o presidente Lula. A mudança de discurso foi detalhada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (3).
Segundo o O Globo, a alteração de postura reflete o temor do senador de que Lula monopolize a narrativa de defesa da soberania nacional. Ao direcionar as críticas ao presidente — e não mais ao STF —, Flávio busca disputar com Lula o discurso de proteção aos interesses brasileiros, evitando que o governo seja o único polo a capitalizar o sentimento patriótico despertado pela ameaça tarifária.
A mudança também responde a um cálculo eleitoral pragmático. Em 2025, a estratégia de culpar o STF pelas sanções americanas acabou gerando desgaste para o bolsonarismo, pois a opinião pública associou a postura a uma defesa de interesses familiares, não nacionais. Agora, Flávio tenta corrigir o curso ao se posicionar como defensor das empresas brasileiras, conforme apurou o O Globo.
A nova abordagem ficou evidente quando Flávio afirmou que pediu pessoalmente a Trump para não taxar empresas brasileiras e se colocou "à disposição do povo" para evitar as tarifas. A questão é se o eleitor vai comprar a narrativa de um senador que visitou Trump dias antes do anúncio do tarifaço e agora tenta se dissociar da medida.
Fontes: O Globo