O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responsabilizou diretamente o presidente Lula pelas novas tarifas propostas pelos Estados Unidos e se ofereceu como alternativa para negociar com o governo americano. Em entrevista ao jornal O Tempo, repercutida pela CNN Brasil nesta quarta-feira (3), Flávio declarou: "Já que o Lula não vai conseguir resolver o problema de tarifas, eu estou me colocando aqui mais uma vez à disposição do povo brasileiro".
Para o senador, Trump teria motivos para "punir Lula" por sua postura em relação à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. "O governo americano pode estar com raiva do Lula, tem todos os motivos para punir o Lula, porque é uma pessoa ruim, é uma pessoa que destila ódio, é uma pessoa que defende traficante, defende terrorista", afirmou Flávio à CNN Brasil.
O senador disse que enviou uma carta a Trump pedindo que as tarifas não fossem implementadas e expressou esperança de que o apelo funcione. A estratégia é clara: Flávio quer se apresentar como o líder político brasileiro com capacidade de interlocução com Washington, em contraste com Lula, que ele retrata como incapaz de resolver a crise comercial.
A ofensiva de Flávio, porém, carrega riscos significativos. Ao se oferecer para negociar diretamente com um governo estrangeiro como senador e pré-candidato — e não como representante oficial do Estado brasileiro —, ele se expõe à acusação de atuar como uma espécie de diplomacia paralela, reforçando a narrativa de Lula de que os Bolsonaros buscam interferência estrangeira nos assuntos internos do país.