O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (3) que "foi bom receber Flávio Bolsonaro na Casa Branca" e o chamou de "um jovem inteligente que ama muito o Brasil". A declaração, registrada pelo Money Times, foi recebida com preocupação no entorno do senador, pois reforça a narrativa de proximidade entre Flávio e o governo americano em um momento em que os EUA propõem tarifas de 25% contra o Brasil.
O elogio de Trump chegou no pior momento possível para a pré-campanha de Flávio. O analista Caio Junqueira, da CNN Brasil, avaliou que o dia "terminou muito favorável ao governo" após a sequência de eventos desfavoráveis ao senador. A declaração do presidente americano dificulta a tentativa de Flávio de se dissociar do tarifaço e alimenta o argumento de Lula de que existe uma aliança entre os Bolsonaros e Washington.
A estratégia de Flávio de se apresentar como interlocutor capaz de negociar com Trump — que funcionava como ativo até a semana passada — se transformou em passivo. A percepção pública de que o senador é próximo do presidente que ameaça a economia brasileira é considerada eleitoralmente tóxica por analistas ouvidos pela CNN Brasil e pelo Valor Econômico.
O episódio ilustra o dilema central da campanha de Flávio: a proximidade com Trump, que deveria ser seu maior diferencial competitivo, tornou-se seu maior ponto de vulnerabilidade. Quanto mais o presidente americano elogia o senador brasileiro, mais munição Lula e seus aliados ganham para consolidar o apelido de "TariFlávio".