O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elevou o tom contra o presidente Lula e afirmou que o petista estaria enviando um "apito de cachorro" para que facções criminosas o "executassem". A declaração foi feita na terça-feira (2), em Belo Horizonte, durante cerimônia em que recebeu título de cidadão honorário pela Câmara Municipal.
A acusação é uma resposta direta ao discurso de Lula em Catalão (GO), onde o presidente chamou os filhos de Bolsonaro de "traidores da pátria" e citou o destino de quem traiu Tiradentes. "Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis foi enforcado", disse Lula, em referência historicamente incorreta. Flávio interpretou a fala como ameaça de morte e anunciou que acionaria o STF por incitação ao crime.
"Ô, Lula, não tem a palavra medo no meu vocabulário. Aqui tem a palavra coragem. Você vai tentar me atingir de todos os jeitos com esses golpes baixos e vai engolir todos", declarou Flávio, que ainda usou uma camisa de Tiradentes durante o evento em referência à fala do presidente.
A escalada retórica é preocupante dos dois lados. Lula sugerir enforcamento de adversários num evento oficial é grave, especialmente para alguém que condena a "retórica violenta da direita" há anos. Já Flávio, ao acusar Lula de mandar facções matá-lo sem apresentar provas, adota o mesmo tipo de discurso inflamado que critica no adversário. O país perde quando o debate político desce a esse nível.