Lula disse que não foi à Marcha para Jesus porque não queria passar a impressão de que estaria usando a fé para obter vantagem política. Convenhamos: essa desculpa não cola nem entre os aliados mais fiéis do presidente.
Por onde passa, Lula faz discurso político. Em inauguração, evento oficial, entrevista ou cerimônia pública, tudo vira palanque. Aliás, os eventos que frequenta costumam ser organizados pelo próprio governo ou pelo PT, ambientes controlados, onde o risco de constrangimento é praticamente zero.
O problema da Marcha para Jesus é outro. Lula carrega uma rejeição enorme entre os evangélicos e sabe disso. O receio não era misturar política com religião, era enfrentar um público fora dos ambientes controlados pelo PT e pelo governo, onde o isco de vaias, cobranças e uma recepção nada amigável é praticamente garantido.