Em tom de despedida, Gilmar Mendes fez uma defesa enfática do papel do STF contra pressões da mídia, da opinião pública e de grupos de interesse. Para o ministro, a Corte precisa proteger direitos fundamentais justamente nos casos mais difíceis, quando há clamor popular por punição e pressão para que garantias legais sejam deixadas de lado. Assista:
A fala teve endereço político e jurídico. Gilmar exaltou a tradição “liberal” do Supremo em matéria criminal e apresentou a Segunda Turma como um freio contra abusos do poder punitivo. Nesse contexto, voltou a lembrar julgamentos que atingiram diretamente a Lava Jato, incluindo a declaração de parcialidade de Sérgio Moro e decisões relacionadas à Operação Spoofing.
O ministro também afirmou que impor limites à atuação de órgãos de investigação e acusação não pode ser confundido com estímulo à impunidade. A frase dialoga diretamente com as críticas feitas por defensores da Lava Jato, que costumam acusar o STF de enfraquecer o combate à corrupção.
Gilmar encerrou o discurso tentando reforçar a ideia de união dentro da Corte, mas deixou um recado político importante: divergências são legítimas e podem se tornar maioria no futuro. A mensagem, lida como um sinal a André Mendonça, mostra que as disputas internas da Segunda Turma seguem vivas — e que votos vencidos hoje podem virar jurisprudência amanhã.