Com o indiciamento de Alessandro Stefanutto pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, vale relembrar o embate direto que o ex-presidente do INSS já teve com o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), durante depoimento à comissão. Relembre no vídeo acima:
Em 13 de outubro de 2025, Stefanutto prestou depoimento à CPMI do INSS em sessão marcada por sucessivas discussões acaloradas com o relator. O ex-presidente da autarquia, amparado por habeas corpus do STF que o autorizava a permanecer em silêncio em perguntas potencialmente incriminatórias, chegou a se recusar a responder à primeira pergunta feita por Gaspar, sobre a data em que ingressara no serviço público, alegando que o relator já teria feito "pré-julgamentos" contra ele.
O clima piorou quando Gaspar questionou Stefanutto sobre uma reportagem que apontava a suspeita de que um advogado teria cobrado propina de empresas em nome do ex-presidente do INSS. Irritado, Stefanutto reagiu exigindo respeito do deputado. Foi nesse momento que o relator soltou a frase que marcou a sessão:
"Me respeite, rapaz, sendo cabeça do maior roubo de aposentados e pensionistas."
A resposta fez Stefanutto se levantar e apontar o dedo em direção ao relator, gesto que foi devolvido por Gaspar. A sessão precisou ser suspensa a pedido do advogado de defesa, Júlio César de Souza Lima, em meio à tensão generalizada no plenário.
O depoimento, que se estendeu por mais de dez horas, foi marcado por diversas trocas de acusações. Em outro trecho da oitiva, Stefanutto defendeu sua atuação à frente do INSS, alegando ter tomado "as providências possíveis" para conter as fraudes e negando qualquer omissão.
O episódio não foi isolado. Semanas antes, em setembro, Gaspar já havia usado tom semelhante contra outro investigado central no esquema, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", a quem chamou de "o maior ladrão dos aposentados e pensionistas desse país" — frase que também gerou tumulto e suspensão de sessão.
Agora, com o indiciamento formal de Stefanutto pela Polícia Federal por participação no esquema que já é estimado em cerca de R$ 6 bilhões em desvios, as acusações feitas por Gaspar durante a CPMI ganham novo peso, à medida que o inquérito segue para análise da Procuradoria-Geral da República.