Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostra que 16,5% das exportações brasileiras aos Estados Unidos são atingidas simultaneamente pelas duas camadas do tarifaço americano — a sobretaxa de 25% por práticas comerciais consideradas desleais e a nova tarifa de 12,5% relacionada a alegações de uso de trabalho forçado —, resultando em uma taxação acumulada de 37,5%. Entre os setores mais impactados estão máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
Segundo reportagem do Valor Econômico, empresários desses setores reconhecem o esforço do governo em ampliar linhas de crédito por meio do Plano Brasil Soberano — que passará a contar com até R$ 28,5 bilhões em financiamentos, conforme a Lei nº 15.473/2026 —, mas defendem medidas estruturais adicionais, como a ampliação do Reintegra, mecanismo que devolve impostos a exportadores, para preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado americano.
O governo avalia abrir uma nova disputa contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas evita, por ora, aplicar medidas de reciprocidade tarifária contra produtos americanos antes da eleição de outubro, por avaliação de que ainda faltam estudos técnicos conclusivos sobre os impactos setoriais da medida.