Aos 80 anos, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu está há cem dias em casa, desde que descobriu um linfoma no duodeno. Mas logo avisa que está em movimento, fazendo campanha à distância e em contagem regressiva para obter aval médico para, em meados de setembro, pedir votos nas ruas e tentar voltar à Câmara dos Deputados pelo PT de São Paulo.
Em conversa por telefone com a Coluna do Estadão, o candidato mostra entusiasmo com a campanha eleitoral e defende que o presidente Lula (PT) faça uma campanha “como se estivesse perdendo”, com vistas a engajar o eleitorado até o fim da disputa.
“Os institutos de pesquisas dizem que há chances de vitória no primeiro turno, mas Lula tem que fazer campanha como se estivesse perdendo. Sempre sou dessa tese. Campanha depende muito da conversa na família, na vizinhança, no trabalho, na escola, na igreja. Não se trata só de rede social e propaganda”, diz José Dirceu.
Dirceu foi preso na ditadura militar, no mensalão e na Lava Jato. Foi eleito pela última vez em 2002, quando foi o segundo deputado mais votado do País, atrás apenas de Enéas Carneiro. Naquela eleição, Lula chegou ao Planalto pela primeira vez e escolheu Dirceu como seu ministro da Casa Civil ao tomar posse. Ficou no ministério palaciano por dois anos, até ser atingido pela crise do mensalão.
Para justificar seu otimismo com um quarto mandato de Lula, Dirceu cita duas razões inéditas. A primeira é o amplo arco de alianças em torno do petista, o único nome do campo progressista na disputa ao Planalto. O outro motivo é a união dentro do próprio PT, partido que Dirceu já presidiu e que é conhecido pelas disputas internas, a despeito da liderança histórica de Lula.
“Nós temos a primeira coalização em que todos os partidos de centro-esquerda estão juntos à Presidência. Temos também praticamente todo o MDB do Norte e do Nordeste, uma parte importantíssima do PSD, temos Estados do Republicanos e do União Brasil, e ex-ministros dessas siglas”, completa Dirceu, e conclui: “Nós fizemos uma aliança para ganhar a eleição. Não estamos com salto alto”.
Coluna do Estadão