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Planalto cobra ministros por divulgação de ações de Lula, estabelece metas e tenta evitar restrições eleitorais

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto passaram a cobrar ministros para que percorram o Brasil, a fim de divulgar ações do governo e defender a gestão petista, apesar das restrições da Lei Eleitoral durante o período de campanha. A Casa Civil estabeleceu uma meta de três viagens semanais para cada integrante do primeiro escalão, destinadas a inaugurações e visitas a obras do governo.

Os ministros que não conseguirem cumprir o roteiro precisam, pelo menos, ocupar espaços na mídia em veículos regionais. Em reuniões semanais no Planalto, os chefes das pastas precisam apresentar seus cronogramas de viagens e previsões de entrevistas para veículos regionais. O objetivo é manter as ações do governo em pauta durante o período de campanha, sem infringir as regras da Justiça Eleitoral.

A ordem que a Esplanada tem recebido é ocupar espaços para mostrar feitos do governo e combater o que o governo classifica como fake news bolsonaristas. Uma delas diz respeito a um vídeo sobre as obras do Ramal do Apodi, atualmente em construção no Rio Grande do Norte, que aponta que Lula inaugurou uma obra que não está concluída.

A ordem que a Esplanada tem recebido é ocupar espaços para mostrar feitos do governo e combater o que o governo classifica como fake news bolsonaristas. Uma delas diz respeito a um vídeo sobre as obras do Ramal do Apodi, atualmente em construção no Rio Grande do Norte, que aponta que Lula inaugurou uma obra que não está concluída.

No início de julho, o presidente participou da inauguração do túnel Major Sales, com 6,5 quilômetros de extensão, que integra o conjunto de obras de transposição das águas do Rio São Francisco. Na ocasião, houve a liberação de água, ação destinada a verificar parâmetros de capacidade do sistema. A liberação, no entanto, foi interrompida temporariamente para a continuidade das obras e retomada nas semanas seguintes. Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Rogério Marinho (PL-RN) foi às redes sociais afirmar que o "governo faz cerimônia em uma obra ainda inacabada, sem a água correndo para a população".

No governo, assessores de Lula têm mapeado obras que vêm sendo criticadas pela oposição e indicado que ministros foquem nelas para contrapor a versão bolsonarista. Já a Casa Civil mapeou que os ministérios da Saúde, da Educação e dos Transportes são os que mais têm entregas na ponta para fazer nas próximas semanas: desde ônibus escolares e unidades móveis de saúde até obras de escolas.

Apesar do pedido para reforçarem as agendas, o Planalto apertou o cerco em relação à orientação sobre postura e falas públicas nesses eventos. Os ministros passaram a receber uma série de orientações da Secretaria de Comunicação Social (Secom) e da Secretaria de Assuntos Jurídicos (SAJ) para não cometerem deslizes em falas que possam gerar problemas com a lei eleitoral. O documento busca calibrar o tom dos ministros. O Planalto pede, por exemplo, que não haja discursos ufanistas dirigidos a Lula nem exageros de elogios à gestão. A orientação é que, eventualmente, o nome de Lula possa ser citado, mas sem falas que possam ser interpretadas como propaganda eleitoral pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também não há permissão para publicações sobre as agendas dos ministros nem nas redes oficiais das pastas.

Não há uso de logomarca ou slogan da gestão petista e a imagem dos eventos é composta apenas com uma bandeira do Brasil. Como mostrou O GLOBO, o Palácio do Planalto aperta o cerco junto a auxiliares na Esplanada por temer que qualquer escorregão nas redes sociais motive ações no TSE e possa levar à impugnação da candidatura à reeleição.

Embora as agendas sejam esvaziadas nos estados, já que, na maioria deles, não há presença de governadores, deputados e senadores que irão disputar as eleições, a estratégia é mirar um impacto local, regional e na cidade que recebe a agenda. Mesmo com o peso político menor desses eventos, normalmente com secretários de Estado e prefeitos, o governo vê uma oportunidade de tentar ampliar a simpatia pela gestão petista nessas regiões. A ofensiva foi iniciada nas últimas três semanas e vem sendo coordenada pela Casa Civil, a pedido do Gabinete Presidencial.

Antes mesmo de o Planalto convocar os ministros a se mobilizarem, o presidente do PT, Edinho Silva, já havia cobrado ministros do governo. Há cerca de um mês, em um jantar, o dirigente pediu que os integrantes do primeiro escalão se posicionem de forma favorável à gestão e respaldem o trabalho de suas pastas, apesar das restrições do período de defeso eleitoral, que limita manifestações e publicidade durante a campanha.

Na época, Edinho reforçou a importância de que os ministros encontrem uma forma de calibrar suas falas públicas sem infringir a legislação eleitoral. Um dos objetivos da conversa era evitar que os ministros ficassem recuados no período de embate eleitoral diante das limitações do defeso eleitoral.

O Globo

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