Entre todos os episódios que marcaram a trajetória do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como relator da CPMI do INSS, o mais grave envolve uma acusação direta de estupro, feita publicamente pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS/PSB-MS).
O episódio ocorreu em 27 de março, durante a sessão em que Gaspar lia o relatório final da CPMI, com proposta de indiciamento de mais de 200 pessoas envolvidas no esquema de fraudes contra aposentados do INSS. Em meio ao clima de forte tensão política da reunião, os dois parlamentares protocolaram uma notícia-crime na qual atribuem a Gaspar a prática de estupro contra uma adolescente, ocorrido supostamente em 2018, quando a vítima teria 13 anos. Segundo a acusação, o episódio teria resultado no nascimento de uma filha, hoje com 8 anos.
Gaspar nega terminantemente as acusações. Em sua defesa, o deputado afirma que o caso relatado por Lindbergh e Soraya se refere, na verdade, a um episódio envolvendo um primo seu, que teria se relacionado com uma jovem quando ainda tinha 15 anos, relação da qual nasceu uma filha, hoje adulta e já mãe de uma criança de 8 anos. Segundo o parlamentar, a confusão entre os dois casos teria sido usada de forma deliberada para atingi-lo politicamente. "As acusações recentemente levantadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke são falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis. Trata-se de uma tentativa clara de desviar o foco das graves investigações conduzidas pela CPMI do INSS", declarou em nota.
O caso ganhou uma dimensão institucional relevante. A denúncia inicial foi levada à Polícia Federal ainda em março, e o material foi analisado internamente pela corporação quanto à competência para investigação. Como deputados federais têm foro privilegiado no STF, a PF solicitou à Corte, em abril, autorização formal para abrir inquérito contra Gaspar. O pedido está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que abriu prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre a instauração do processo.
Gaspar, por sua vez, também acionou a Justiça. Após a acusação, o deputado protocolou representações contra Lindbergh e Soraya no STF, na PGR e na própria Polícia Federal, além de registrar queixa na Corregedoria da Câmara dos Deputados. Nos documentos, classificou as acusações como "100% mentirosas, infames e repulsivas" e alegou que o episódio teve motivação política, com o objetivo de intimidá-lo e constranger sua atuação como relator da CPMI, num momento sensível da divulgação do relatório final da comissão.
Até o momento, a apuração sobre a denúncia de estupro contra Alfredo Gaspar segue em curso no STF, sem decisão sobre a abertura formal de inquérito. A acusação permanece como o episódio mais grave enfrentado pelo deputado, agora também confirmado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).