A crise no Supremo Tribunal Federal repercute de formas distintas nos dois polos do eleitorado, segundo editorial publicado pela Folha de S.Paulo. Dados do Datafolha citados pelo jornal mostram que 50% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, contra apenas 9% entre os eleitores de Lula (PT). Já entre os lulistas, as críticas se concentram no ministro André Mendonça: 49% deles querem que ele se afaste do cargo para ser investigado, ante 23% entre os eleitores de Flávio.
Apesar da polarização, o editorial defende que aquilo que pesa contra cada um dos ministros é de natureza absolutamente distinta, e que essas questões não devem ser misturadas nas decisões futuras da Corte. Nesse sentido, a Folha elogia a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de negar que a conduta de Mendonça fosse discutida na mesma sessão plenária de terça-feira (15) destinada a deliberar sobre a situação de Moraes.
O caso de Moraes, segundo o texto, é grave e exige investigação urgente — e já tardia. Desde o fim de 2025 sabe-se que o Banco Master fechou contrato de valores exorbitantes com o escritório da família do ministro. Vieram à tona também mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro em busca de proteção e aconselhamento, supostamente endereçadas a Moraes, sempre com o uso suspeito do recurso de visualização única.
O editorial ainda critica o ministro por, até o momento, recusar-se a renunciar ou se afastar temporariamente do cargo — postura que, segundo a Folha, teria contribuído para aprofundar a crise institucional na Corte, ao lado da conduta do colega Dias Toffoli.
Por fim, o texto reforça que a eventual motivação política atribuída a Mendonça não altera os fatos que precisam ser apurados sobre Moraes, e destaca que só depois da derrubada dos sigilos processuais tornou-se pública a informação de que o senador Flávio Bolsonaro também é investigado no âmbito do caso Master.