O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), hoje consolidado como uma das principais lideranças nacionais da direita brasileira, decidiu levar a cobrança institucional sobre o Senado diretamente às ruas. No domingo (13), ele liderou um ato em Macapá, capital do Amapá, cobrando do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o andamento dos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Informações do Correio Braziliense indicam que a manifestação foi anunciada por Nikolas ainda durante o ato de 7 de Setembro em São Paulo, como estratégia para deslocar a pressão política diretamente para a base eleitoral de Alcolumbre. A escolha do território não foi aleatória: ao levar o protesto para o reduto político do próprio presidente do Senado, o deputado buscou transformar uma pauta nacional em um problema de sobrevivência política local para o senador.
O ato, batizado de "Acorda Amapá", precisou trocar de local duas vezes por resistência de grupos contrários à manifestação, até se fixar na Concha do Araxá. Segundo relatos do próprio Nikolas, foram usados bonecos, cartazes, panfletos e carros com bandeiras em tentativas de dificultar a realização do evento, inicialmente previsto para a Praça Jaci Barata.
Durante o discurso, Nikolas puxou o coro de "Fora, Davi" e citou dados de infraestrutura e segurança pública do Amapá para reforçar as críticas a Alcolumbre, afirmando que o estado tem uma das maiores taxas de violência do país e índices baixos de coleta de esgoto. "Nunca mais Amapá se curvará para a velha política e para ninguém, porque Amapá é nosso e de mais ninguém, porque Amapá acordou", declarou o deputado à multidão.
A manifestação reflete o aumento da pressão de parlamentares da oposição sobre Alcolumbre, que atualmente tem em sua mesa 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF sem qualquer movimento de análise. O episódio evidencia como a disputa em torno do Supremo deixou de ser apenas jurídica e passou a operar também no terreno da pressão popular organizada, com uma liderança nacional dispondo-se a desafiar diretamente a cúpula do Legislativo dentro do próprio território eleitoral do adversário.