A sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) de terça-feira (15), marcada por bate-boca e acusações entre integrantes da Corte, ampliou o desgaste do ministro André Mendonça, aponta levantamento da AP Exata nas redes sociais. Apesar disso, o ministro Alexandre de Moraes, alvo do pedido de investigação debatido pelo plenário por supostas conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ainda concentra o maior percentual de menções negativas.
A análise compara os dados de 4 de setembro com os registrados nesta quarta-feira (16), um dia depois da sessão. Nesse período, as menções negativas a Mendonça saltaram de 32% para 59%, alta de 27 pontos percentuais. As positivas passaram de 26% para 29%.
Já as menções negativas sobre Moraes recuaram de 77,5% para 74%, mas permaneceram em patamar superior ao de Mendonça. As positivas subiram de 3% para 11%.
Segundo o CEO da AP Exata, Sérgio Denicoli, o crescimento das manifestações favoráveis a Moraes não significa que as redes passaram a considerá-lo isento ou imparcial.
“Não é uma defesa de que ele está isento e imparcial, de que não fez nada. A defesa é: os ministros todos estão envolvidos, ele não é o único”, afirmou.
Durante o debate da sessão, o ministro Flávio Dino, autor do pedido de vista do julgamento, chegou a fazer referências aos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, que também seriam citados nas conversas de Vorcaro, dono do Banco Master.
“As mensagens do ministro Fux, as mensagens do ministro Kassio, as mensagens relativas ao ministro André. Nós vamos parar onde?”, argumentou Dino.
De acordo com Denicoli, também ganharam força os argumentos de que houve seletividade na divulgação das informações e de que Mendonça teria agido com motivação eleitoral.
“É esse tipo de defesa que aparece: houve uma seletividade, o Mendonça está agindo eleitoralmente, quer atingir o Alexandre para atingir o Lula”, disse.
O CEO da AP Exata atribui o aumento das menções negativas a Mendonça às acusações de que o ministro selecionou informações e tentou proteger o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Fica muito nítido que é por causa do discurso de que ele está agindo eleitoralmente, de que foi seletivo, pinçou as coisas e tentou proteger o Flávio”, afirmou Denicoli.
Por outro lado, as manifestações positivas sobre Mendonça cresceram apenas três pontos percentuais. Segundo o levantamento, a defesa do ministro ficou concentrada principalmente no campo da direita ligado ao candidato do PL.
Durante a sessão, Mendonça, que é o relator do caso Master e levantou o sigilo do relatório da PF (Polícia Federal) que aponta mensagens de Vorcaro a um número de telefone atribuído a Moraes, foi acusado pelo decano da Corte de agir eleitoralmente.
“É evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos dessa PET. Escolha de data, 7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”, disse Gilmar.
A análise da AP Exata também identificou um afastamento do eleitor de centro e moderado em relação à crise do STF. De acordo com Denicoli, esse grupo evitou defender ministros ou candidatos e ampliou as críticas ao STF e ao sistema político.
“O eleitor de centro, o eleitor moderado, ficou calado em relação aos candidatos. Ele se indignou com o que viu, mas não tentou defender nenhum deles. Isso mostra uma apatia e um distanciamento das eleições”, afirmou Denicoli.
A sessão não provocou mudança significativa nas manifestações em favor de Lula ou Flávio. Segundo o CEO da AP Exata, o eleitor moderado mantém distância dos dois principais candidatos à Presidência.
“Esse eleitor não está encantado nem pelo Lula nem pelo Flávio. O centro está completamente vazio, ou seja, o eleitor de centro não está defendendo nenhum dos candidatos”, disse.
Para Denicoli, esse público será decisivo na eleição, mas pode optar pela abstenção ou pelo voto nulo se o sentimento de apatia persistir.
“Esse eleitor ainda não foi encantado por ninguém. É o eleitor que vai definir a eleição e que, inclusive, pode anular o voto”, afirmou.
CNN Brasil