O governo Lula terminou a semana aumentando em 15% o Bolsa Família, sem previsão no Orçamento, e deixando mais R$ 22 bilhões para serem pagos em 2027. A medida veio poucos dias depois de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmar que o governo sofre de “preconceito fiscal”. Os lulistas dizem que não há problema no reajuste e tentam afastar a relação entre a medida e a eleição.
Em 2024, porém, o STF considerou inconstitucional um aumento do Bolsa Família feito às vésperas das eleições de 2022, durante o governo Jair Bolsonaro. Na ocasião, Gilmar Mendes afirmou que o uso da máquina pública para obter vantagem eleitoral poderia desequilibrar a disputa. Agora, dois anos depois, o próprio Gilmar considerou válido o reajuste anunciado por Lula. A campanha do presidente também passou a divulgar o aumento do benefício em peças de propaganda.
Na reta final da eleição, Lula ainda passou a prometer canetas emagrecedoras “de graça” e voltou a ameaçar acabar com as bets, atividade que seu próprio governo regulamentou. O governo se apresenta como fiscalmente responsável, enquanto o Banco Central vem fazendo alertas sobre as contas públicas. No fim, a tese do governo é de responsabilidade fiscal — falta convencer os números.
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