O governo brasileiro voltou a contestar a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Em carta enviada nesta segunda-feira (6) ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o Itamaraty classificou a investigação que embasa a medida como "arbitrária", "incompleta" e baseada em conclusões "equivocadas", além de afirmar que a iniciativa viola as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
No documento, o Brasil afirma que possui um dos sistemas mais robustos do mundo no combate ao trabalho forçado e sustenta que apresentou provas sobre a fiscalização e os mecanismos de controle adotados pelo país. Segundo o Itamaraty, o USTR ignorou essas informações e não apresentou casos concretos envolvendo produtos brasileiros, nem demonstrou que políticas do Brasil tenham causado prejuízos ao mercado norte-americano. Por isso, o governo defende que não há base legal para a adoção de medidas comerciais unilaterais.
Ao final da manifestação, o Brasil pede que os Estados Unidos retirem a proposta de tarifa de 12,5% e revisem as conclusões da investigação. O governo também argumenta que, caso a medida seja mantida, o país não deve receber o mesmo tratamento de nações com sistemas menos desenvolvidos de combate ao trabalho forçado. A carta foi apresentada durante a fase de consultas públicas do processo conduzido pelo USTR, enquanto EUA e Brasil seguem negociando para evitar também a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.