Mensagens vazadas nesta sexta-feira (30) à jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, mostram que o então ministro das Comunicações do governo Lula, Juscelino Filho, usava voos da Força Aérea Brasileira (FAB) para viagens de entretenimento com direito a festas e "putaria", segundo relato da empresária Roberta Luchsinger ao filho do presidente, Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Na conversa, Luchsinger repassa a Lulinha um relato de Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha, sobre o comportamento do ministro. "Gustavo disse que Juscelino faz isso direto. Voo FAB, vem jogar e fazer putaria", escreveu ela. Lulinha reagiu: "Esse moço sabe ser feliz". Roberta completou, em tom de ironia: "Eu quero só ver a justificativa do voo" — numa referência ao uso de aeronaves públicas para fins que nada teriam a ver com atividade oficial.
O episódio aparece em meio a uma troca de mensagens mais ampla, de agosto de 2023, na qual Roberta e Lulinha — que se tratavam diariamente por "muso" e "musa" — comentam um encontro da empresária com o ministro em uma festa no hotel Palácio Tangará, em São Paulo. "Ontem fui jantar com o Léo (Slezynger, empresário da Unigel) no bendito Tangará. Quem eu dei de cara no elevador? Fred Telebrás. Jucelino e mais o secretário executivo do Jucelino. Mais 5 putas. Uma mesa regada a putaria e bebida", relatou Roberta, referindo-se a Juscelino Filho e a Frederico de Siqueira Filho, então presidente da Telebras.
"Nussa… os caras são lokos", respondeu Lulinha. Roberta deu seguimento ao relato: "Puta bebendo champanhe no Tangará. Detalhe: ia rolar suruba mesmo. Estavam subindo p uma suíte. Todos em uma suíte. Pq o 1º andar eh só de suíte grande e tal". O filho do presidente ironizou: "Tadinha… elas tb merecem… puta só pode beber campari agora".
O diálogo, por si só, não comprova que os fatos tenham ocorrido exatamente como descritos por Roberta Luchsinger — trata-se do relato dela a Lulinha, sem confirmação independente até o momento. A defesa de Lulinha afirma que a autenticidade das mensagens não pode ser atestada e sustenta que ele não se envolveu em ilícitos, estando à disposição da Justiça.