Horas após a prisão de Raphael Sousa Oliveira na Operação Narco Fluxo, a defesa do dono da Choquei divulgou nota negando todas as acusações. Segundo o comunicado, o vínculo de Raphael com os fatos investigados decorre "exclusivamente da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa". A defesa afirma que os valores recebidos referem-se a "serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos", e que Raphael "não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada".
A PF, no entanto, não o acusa apenas de fazer publicidade. Os investigadores apontam que Raphael integrava a estrutura da organização como "grande operador de mídia", recebendo valores para criar um ambiente midiático que naturalizava o patrimônio dos envolvidos e dava aparência de legalidade a operações suspeitas. É o chamado "escudo de conformidade": o engajamento digital funcionava como cortina de fumaça para mascarar recursos vindos do tráfico, jogos de azar e rifas digitais.
A nota da defesa não aborda pontos centrais da investigação. Não esclarece se o volume de recursos recebidos era compatível com os serviços publicitários declarados, não comenta a relação entre os anunciantes da Choquei e as plataformas de apostas investigadas, e não informa se havia contratos formais ou se os pagamentos ocorriam de forma informal.
A prisão de Raphael não é a primeira vez que a Choquei está no centro de uma polêmica grave. Em dezembro de 2023, o perfil publicou fake news que contribuiu para o suicídio da jovem Jéssica Canedo, de 22 anos. O caso gerou investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, mas não resultou em punição. O perfil também acumula o recorde brasileiro de correções da comunidade no X, com 440 notas, e mantinha relações documentadas com a primeira-dama Janja e o entorno do governo Lula desde 2022.
A prisão temporária de Raphael tem prazo determinado. As investigações seguem em andamento e todos os citados são considerados inocentes até eventual condenação transitada em julgado.