A Polícia Federal apontou Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, como líder da organização criminosa desarticulada na Operação Narco Fluxo, deflagrada na quarta-feira (15). O dado mais impactante da investigação é o volume financeiro atribuído ao grupo: cerca de R$ 260 bilhões em movimentações ilícitas.
Segundo os investigadores, o cantor de funk era o principal beneficiário econômico da estrutura e usava empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos provenientes de apostas ilegais, rifas digitais e tráfico de drogas. O funkeiro foi preso junto com outros 32 alvos, em operação que cumpriu 45 mandados de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal, com apreensão de veículos de luxo avaliados em R$ 20 milhões.
Para blindar o patrimônio, MC Ryan SP teria transferido participações societárias para familiares e "laranjas", segundo a PF, com o objetivo de distanciar o capital da pessoa física do cantor. A investigação descreve o que chama de "escudo de conformidade": a fama e o alto engajamento do artista nas redes sociais funcionavam como fachada de legalidade, naturalizando um patrimônio incompatível e suavizando alertas de fiscalização.
O esquema operava por três eixos: pulverização de valores por meio de ingressos e ativos digitais, dissimulação com criptoativos e transporte de dinheiro em espécie, e interposição de terceiros como familiares e CPFs alugados para ocultar os reais beneficiários. Os valores, após processados, eram convertidos em imóveis de luxo, veículos de alto padrão, joias e outros bens.
As investigações apontam ainda para uma conexão com o PCC, a maior facção criminosa do país, por meio de Frank Magrini, indicado como operador financeiro da organização. Segundo a PF, há indícios de que Magrini financiou o início da carreira de Ryan em 2014, e a relação envolvia pagamento de "mensalidades" sistemáticas por estabelecimentos comerciais ligados ao grupo.
O principal operador do esquema é apontado como Rodrigo Morgado, autodenominado "contador", já preso anteriormente na Operação Narco Bet. A PF também identificou Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, como "o grande operador de mídia da organização", que recebia valores para divulgar conteúdos dos artistas e promover plataformas de apostas e rifas ilegais.
A defesa de MC Ryan SP declarou que ainda não teve acesso ao procedimento, que tramita sob sigilo, mas afirmou "absoluta integridade" do artista e disse que "todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada". A defesa de Raphael Sousa Oliveira disse que o vínculo decorre "exclusivamente da prestação de serviços publicitários". A defesa de Rodrigo Morgado afirmou que ele "sempre atuou exclusivamente como contador" e que "o simples ato de converter criptomoedas em reais mediante pagamento de comissão não configura crime".
Todos os citados são inocentes até que se prove o contrário, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência. As prisões são temporárias e as investigações seguem em andamento.