A operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante de um dos dilemas políticos mais delicados de sua pré-campanha. O senador baiano não é apenas o líder do governo no Senado, mas um dos aliados mais antigos e leais do petista, o que torna qualquer movimento de afastamento uma decisão de altíssimo custo político e simbólico.
Para o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV, um afastamento imediato de Wagner ajudaria Lula a criar distância institucional da crise, mas abriria outro flanco igualmente perigoso: o de abandonar publicamente o principal articulador do governo na Casa legislativa. "Se tivesse uma atitude imediata de afastamento, ele poderia se distanciar do problema, mas poderia condenar publicamente seu líder de governo também", avaliou o pesquisador.
O impasse se agrava porque a investigação eclode num momento em que o governo acabava de recuperar fôlego nas pesquisas de aprovação. Após semanas de rejeição elevada, medidas econômicas recentes haviam ajudado a equilibrar os índices, e Lula preparava o terreno para o lançamento oficial de sua candidatura à reeleição. A crise Wagner ameaça interromper esse ciclo positivo exatamente quando o presidente precisava de ambiente favorável para a convenção marcada para 1º de agosto.
A avaliação que circula nos bastidores do Planalto é de que Lula perdeu o momento politicamente mais favorável para uma eventual troca de liderança no Senado, que teria menos custo antes da operação do que depois. Agora, qualquer movimentação pode ser lida como reação à pressão, o que fragiliza ainda mais a posição do presidente. O partido, por enquanto, optou pela defesa pública do senador. Fonte: VEJA.