Alcaçuz chegou a uma situação que parece roteiro de ficção. Um relatório da própria direção da penitenciária revela que, por falta de policiais penais, presos que trabalham na unidade, os chamados “pagadores”, recebem as chaves das celas para trancar outros detentos. A própria administração classifica a prática como “transferência indevida do poder de polícia”.
O relatório também aponta que há setor com registro de apenas um policial para 315 presos, guaritas desativadas, rondas que deixam de ser feitas e câmeras externas que passam dias sujas, sem foco ou completamente desligadas. E isso acontece em uma unidade que registrou 17 fugas no complexo desde maio deste ano, segundo o levantamento apresentado pela Tribuna do Norte.

Relatório da SEAP divulgado pela Tribuna do Norte
A Seap diz que Alcaçuz “se mantém sob controle, com segurança e disciplina”, mas o relatório da própria direção conta uma história bem diferente. Quando o Estado entrega a chave da cela para o preso porque não tem policial suficiente, a situação deixou de ser apenas falta de efetivo. É a autoridade do Estado sendo terceirizada para quem deveria estar atrás das grades. E ainda querem chamar isso de sistema sob controle.
Com informações da Tribuna do Norte