Após nomes ligados a Lula tocarem fogo na relação com o mercado e defenderem um corte de juros "na canetada", o presidente da República reeleito convocou uma reunião de emergência para discutir os próximos passos da economia. Foram chamados Fernando Haddad, o atual ministro Dario Durigan e até o ex-ministro Guido Mantega.
Mantega, inclusive, foi o mesmo que o PT indicou para prestar consultoria ao Banco Master antes da instituição ser liquidada pelo Banco Central. O ex-ministro foi contratado como consultor, recebendo cerca de R$ 14 milhões por meio da sua empresa, a Pollaris Consultoria. O pagamento foi de cerca de R$ 1 milhão por mês.
Segundo a CNN Brasil, além de Haddad, Durigan e Mantega, devem participar da reunião o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante. Além deles, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), também estará presente.
Havia ainda a previsão de que Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, participasse do encontro. No entanto, fontes próximas ao mandatário à frente da instituição disseram à CNN que ele não deve participar.
O encontro foi confirmado por Dario Durigan, em conversa com jornalistas após sair do prédio ministerial. Segundo ele, algumas propostas serão levadas ao presidente.
"A reunião foi chamada pelo presidente. Ele me comunicou previamente. Eu não tenho maiores informações, mas é mais um esforço para gente dividir os cenários, propostas. Eu vou levar certamente as propostas e ideias em termos gerais do que a gente deve fazer nas próximas semanas", disse Durigan.
O encontro ocorre no dia seguinte a decisão do Copom de manter em 13,75% a taxa de juros e diante de questionamentos de agentes econômicos sobre qual será a política econômica de Lula 4.
TERRORISMO
Na semana passada, um artigo do economista Lara Resende foi defendido por pessoas ligadas a Lula e ao Governo como forma de reduzir o juros. Lara Resende defendeu uma redução obrigatória na taxa de juros como forma de frear a inflação - nomes do mercado afirmam que é justamente o contrário.
A ex-ministra Gleisi Hoffmann e o atual ministro Guilherme Boulos usaram o artigo para acusar o mercado financeiro de "terrorismo" contra a economia brasileira.