Integrantes da equipe política de Lula avaliam que a campanha do presidente precisa entrar em uma nova fase. Depois de explorar a polarização contra o bolsonarismo, auxiliares defendem que o petista faça movimentos mais claros em direção ao eleitor de centro, considerado decisivo para ampliar sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro.
Segundo o g1 e a GloboNews, em análise publicada pelo jornalista Valdo Cruz nesta segunda-feira, 13 de julho, coordenadores da campanha de Lula avaliam que a polarização já entregou os ganhos possíveis até aqui. A leitura é que, a partir de agora, o presidente precisa falar mais com eleitores independentes, moderados e menos ideologizados, especialmente diante da crise enfrentada pela pré-candidatura de Flávio.
A estratégia também passa pela expectativa de neutralidade de partidos do Centrão. Interlocutores do presidente acreditam que siglas como PP, União Brasil, Republicanos e MDB tendem a liberar seus diretórios estaduais, em vez de aderir nacionalmente à candidatura bolsonarista. Para o Planalto, esse cenário seria mais favorável do que uma frente ampla da direita em torno de Flávio.
O movimento, porém, exige equilíbrio. Se Lula abandonar completamente o confronto com o bolsonarismo, pode desmobilizar sua base. Se insistir apenas na polarização, corre o risco de afastar o eleitor moderado. A aposta governista é construir uma imagem de estabilidade, experiência e moderação, enquanto Flávio lida com ruídos internos e dificuldades de articulação.