A crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro segue como um dos principais pontos de tensão dentro do campo bolsonarista. Mesmo com a carta de Jair Bolsonaro em apoio ao filho, aliados avaliam que a disputa interna ainda não foi plenamente superada e pode afetar a capacidade de mobilização da direita.
Segundo o g1 e a GloboNews, em análise de Valdo Cruz publicada nesta segunda-feira, 13 de julho, a equipe de Lula considera que a crise na campanha de Flávio Bolsonaro ainda não foi contornada. A avaliação no entorno do presidente é que o senador enfrenta dificuldade para unificar o bolsonarismo, especialmente diante do peso eleitoral de Michelle entre mulheres e evangélicos.
Michelle é vista como um ativo estratégico da direita. Sua força simbólica junto ao eleitorado conservador, religioso e feminino torna qualquer conflito com Flávio potencialmente danoso para a candidatura do senador. A carta de Jair Bolsonaro tentou pacificar o campo ao chamar Flávio de seu representante político, mas também expôs a necessidade de intervenção direta do ex-presidente.
Para Lula, o risco é transformar a crise adversária em excesso de confiança. A divisão no bolsonarismo ajuda, mas não garante vitória. Flávio segue competitivo nas pesquisas e pode usar o apoio do pai para reaglutinar a base. A campanha governista, por isso, tende a explorar o desgaste com cuidado, evitando parecer dependente apenas das brigas internas da oposição.